Ministério da Saúde autoriza compra de até 20 mil doses contra mpox
A aquisição será feita pelo Fundo Rotatório da Opas, não representa entrega imediata de todo o volume e busca recompor o estoque estratégico do SUS.
Resumo em 30 segundos
O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra mpox para recompor o estoque estratégico do SUS. O Rio de Janeiro recebeu mais 2 mil doses e soma 3,5 mil neste ano. A vacinação é direcionada a grupos específicos, em meio ao aumento recente de casos no estado.
O Ministério da Saúde autorizou a compra de até 20 mil doses da vacina contra a mpox pelo Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), após reunião realizada nesta quarta-feira. A medida busca recompor o estoque estratégico e manter a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS), diante da circulação da doença e das necessidades identificadas pela vigilância epidemiológica.
A autorização prevê a aquisição de até 20 mil doses, não a entrega imediata de todo esse volume. O Ministério da Saúde informou que a compra tem caráter preventivo e pretende assegurar imunizantes para atender às demandas dos estados. A quantidade disponível para aquisição no mercado mundial é limitada, por isso a vacinação no Brasil é direcionada a grupos específicos.
O Rio de Janeiro recebeu nesta quarta-feira mais 2 mil doses. O estado, responsável por repassar as unidades aos municípios, já recebeu 3,5 mil doses neste ano. O Ministério da Saúde poderá realizar novos envios conforme a necessidade identificada.
Até outubro, o Brasil havia notificado 665 casos de mpox em 2026, dos quais 218 foram registrados no Rio de Janeiro, segundo o Ministério da Saúde. O painel epidemiológico estadual, com dados mais atualizados, apontava 269 casos confirmados no estado no ano. A diferença decorre das fontes e dos períodos de atualização: o balanço nacional contabiliza notificações até outubro, enquanto o dado estadual é mais recente.
Na capital fluminense, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 55 casos em outubro, o maior número mensal desde outubro de 2022. Em setembro, foram 47 casos, contra 13 em agosto. A secretaria afirmou que houve elevação da curva em setembro, mas avaliou que os registros recentes permanecem dentro das oscilações observadas desde a introdução da doença, em 2022. Naquele ano, a cidade chegou a contabilizar 351 casos em um único mês.
O Distrito Federal também informou aumento recente: foram 23 infecções em 2026 até a primeira semana de novembro, oito delas em outubro. No conjunto do país, o total notificado até outubro representa queda de 94% em relação aos 10.821 casos de 2022, quando o vírus começou a se disseminar globalmente. O Rio teve redução de 84,2% frente aos 1.381 casos daquele ano, embora os dados estaduais de 2026 mostrem aumento em relação ao ano passado.
A vacinação é indicada principalmente a pessoas vivendo com HIV/Aids que apresentem imunossupressão, definida nesse grupo por contagem de linfócitos CD4 inferior a 100 células por milímetro cúbico. O esquema é de duas doses, separadas por 28 dias. Se houver doses excedentes, a estratégia pode alcançar pessoas com HIV/Aids e CD4 abaixo de 200, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP), profissionais de laboratório que trabalham com Orthopoxvirus e pessoas que tiveram contato direto de médio ou alto risco com caso suspeito ou confirmado, após avaliação da vigilância em saúde.
Mpox é uma infecção causada por um vírus do gênero Orthopoxvirus. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com pessoas infectadas, inclusive com lesões na pele. O tempo entre a exposição e o início dos sintomas costuma ser de três a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias. As lesões podem aparecer no rosto, nas mãos, nos pés, na boca, nos genitais ou no ânus, entre outras partes do corpo.
A orientação do Ministério da Saúde é que pessoas com lesões ou erupções suspeitas procurem uma unidade de saúde para avaliação. Profissionais podem investigar exposições e coletar amostras, preferencialmente da secreção das lesões, para diagnóstico laboratorial. Quem teve contato próximo com uma pessoa suspeita ou diagnosticada também deve buscar orientação e acompanhar possíveis sinais, como lesões, febre e aumento dos linfonodos.
A maioria dos casos tem evolução leve a moderada e melhora em duas a quatro semanas. Não há tratamento específico aprovado para a doença; os cuidados se concentram no alívio dos sintomas, no tratamento de complicações e no suporte clínico quando necessário. A principal medida de prevenção indicada pela pasta é evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação de mpox.
Para entender
- Fundo Rotatório da Opas
- Mecanismo da Organização Pan-Americana da Saúde que facilita a compra conjunta de vacinas e outros insumos de saúde para os países participantes. A aquisição autorizada pelo Ministério da Saúde é feita por esse fundo.