Caminhada regular é associada a menos fadiga no câncer colorretal
Estudo com mais de 1.700 pacientes encontrou risco 22% menor de fadiga após seis meses e 26% após um ano entre os que caminhavam.
Resumo em 30 segundos
Um estudo com mais de 1.700 pessoas com câncer colorretal não metastático associou a caminhada regular a menos fadiga e melhor qualidade de vida. A redução do risco de fadiga foi de 22% após seis meses e de 26% depois de um ano. Especialistas recomendam adaptar a atividade às condições de cada paciente.
Um estudo publicado no Journal of the National Comprehensive Cancer Network associou a caminhada regular à redução da fadiga e à melhora da qualidade de vida de pessoas com câncer colorretal não metastático. Os pesquisadores acompanharam mais de 1.700 pacientes em diferentes etapas, do diagnóstico até 24 meses depois, e identificaram os benefícios da atividade ao longo do tratamento e da recuperação.
Entre os participantes, caminhar foi a prática mais fortemente relacionada a melhores resultados. A atividade esteve associada a uma redução de 22% no risco de fadiga após seis meses e de 26% depois de um ano, segundo os pesquisadores. Os dados foram obtidos a partir de relatos dos pacientes sobre os exercícios que faziam e a intensidade das atividades.
O oncologista Rodrigo Fogace, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, afirmou que a caminhada é acessível e não exige equipamentos. Para ele, uma atividade leve, feita com regularidade, pode ser mais sustentável do que exercícios intensos realizados apenas de vez em quando. A intensidade e a frequência, porém, devem considerar a condição clínica de cada paciente.
A fadiga relacionada ao câncer pode ser diferente do cansaço habitual, que costuma melhorar depois de dormir ou descansar. Segundo Fogace, ela pode ser desproporcional ao esforço e persistir mesmo após repouso. Atividades simples podem provocar grande exaustão, e alguns pacientes também relatam dificuldade de concentração e sensação de cansaço mental.
A fadiga é uma queixa frequente durante e depois do tratamento. O texto do estudo informa que pode atingir até 90% das pessoas submetidas a quimioterapia ou radioterapia; quase metade delas relata continuar cansada anos após o tratamento. Entre as causas possíveis estão a inflamação associada à doença e à quimioterapia, além de anemia, alterações no sono e perda de capacidade funcional.
A atividade física pode atuar em diferentes fatores ligados aos sintomas, segundo Fogace. Além de ajudar a reduzir processos inflamatórios, ela contribui para preservar a massa muscular, que pode diminuir durante o tratamento, e para melhorar o sono. O exercício também pode reduzir ansiedade e depressão, aspectos que afetam a qualidade de vida.
A Sociedade Americana de Oncologia Clínica recomenda que pacientes com câncer se mantenham fisicamente ativos, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) indica cerca de 150 minutos semanais de exercício, incluindo atividade aeróbica moderada. A recomendação também prevê, se possível, exercícios de fortalecimento muscular aproximadamente duas vezes por semana. Essas metas não significam que todos devam começar com a mesma carga ou ritmo.
Para quem não tem o hábito de se exercitar, Fogace sugere iniciar com caminhadas de cinco a dez minutos, conforme a tolerância, e aumentar o tempo gradualmente. A orientação precisa ser individualizada, especialmente porque algumas doenças podem atingir os ossos e elevar o risco de fraturas. Nesses casos, é importante avaliar a segurança da atividade antes de começar.