Novembro Azul destaca apoio da família na saúde dos homens
A campanha de 2026 chama atenção para o incentivo de familiares às consultas, enquanto especialistas recomendam avaliar individualmente os riscos e a necessidade de exames.
Resumo em 30 segundos
O Novembro Azul destaca a influência de familiares na busca dos homens por atendimento médico. Levantamentos apontam que muitos só procuram um profissional quando têm sintomas. A avaliação da próstata deve considerar fatores individuais; Ministério da Saúde e INCA não recomendam rastreamento indiscriminado de homens sem sintomas. A orientação é conversar com um profissional de saúde.
O Novembro Azul, campanha realizada em novembro para conscientizar sobre a saúde masculina e o câncer de próstata, destaca neste ano o papel de familiares no incentivo à procura por atendimento. Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo aponta que 70% dos homens que chegam a um serviço médico tiveram influência da companheira ou dos filhos.
A campanha também busca enfrentar o adiamento de consultas por constrangimento, preconceito ou falta de atenção aos cuidados preventivos. Pesquisa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) com 1.500 homens acima dos 40 anos mostra que 46% só procuram um médico quando têm sintomas. Em 18% dos casos, o parceiro ou a parceira marca as consultas; 78% reconhecem que as mulheres cuidam mais da própria saúde.
A importância do tema é reforçada pela estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que prevê 77.920 novos casos de câncer de próstata por ano no Brasil entre 2026 e 2028. A doença é a mais incidente entre os homens brasileiros, exceto pelos tumores de pele não melanoma, e pode não apresentar sinais nas fases iniciais.
O urologista Lucas Takikawa afirma que alguns homens associam mudanças no corpo ao envelhecimento ou não dão importância a determinados sintomas. Dificuldade para urinar, alterações no jato urinário e necessidade de levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro devem ser avaliadas por um profissional, embora não indiquem necessariamente um problema grave.
O apoio de companheiras e familiares pode ajudar a tornar o assunto parte da rotina, em vez de uma preocupação apenas quando aparecem sintomas. Conversas abertas também podem reduzir o receio de falar sobre o próprio corpo ou de realizar exames. Uma revisão científica publicada na revista Preventive Medicine, que reuniu 19 estudos sobre relações sociais e exames de próstata, encontrou maior adesão ao rastreamento entre homens casados ou com companheiras. Os pesquisadores ressaltaram que são necessários novos estudos para entender melhor essa associação.
A avaliação da próstata deve levar em conta a idade, o histórico familiar e as condições de cada pessoa. O exame de sangue PSA, que mede o antígeno prostático específico, e o toque retal podem ser discutidos durante a consulta; a decisão deve considerar cada caso. O Ministério da Saúde e o INCA não recomendam rastreamento indiscriminado de homens sem sintomas.
Por isso, a campanha não significa que todos os homens devam fazer exames de rastreamento automaticamente. A orientação é conversar com um profissional de saúde para avaliar riscos, benefícios e a necessidade de exames. O diálogo com familiares pode ajudar a vencer a resistência, mas o cuidado também depende de cada homem incorporar consultas e atenção à saúde à própria rotina.