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Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Musculação pode aumentar a espessura da derme, aponta estudo

Em mulheres de meia-idade, 16 semanas de treino de força foram associadas ao aumento da espessura da derme; isso não prova que a musculação produza colágeno.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Mulher de meia-idade faz exercício com halteres em uma academia iluminada. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Mulher de meia-idade faz exercício com halteres em uma academia iluminada.
Resumo em 30 segundos

Um estudo realizado no Japão observou aumento significativo da espessura da derme em mulheres sedentárias de meia-idade que fizeram musculação por 16 semanas. Os grupos de musculação e de exercícios aeróbicos tiveram melhora na elasticidade da pele. Os resultados são preliminares e não comprovam que o treino produza colágeno ou trate o envelhecimento cutâneo.

A musculação pode estar associada a mudanças na estrutura da pele, além dos benefícios conhecidos para músculos, ossos e metabolismo. Em um estudo publicado em 2023, mulheres sedentárias de meia-idade que fizeram treinamento de força por 16 semanas tiveram aumento significativo da espessura da derme; os resultados, porém, não demonstram que o exercício, por si só, previna o envelhecimento cutâneo ou substitua tratamentos dermatológicos.

A pesquisa foi realizada no Japão e acompanhou mulheres divididas em dois grupos: um fez musculação e o outro, exercícios aeróbicos. As participantes treinaram duas vezes por semana. Ao fim do período, ambos os grupos apresentaram melhora da elasticidade da pele e de indicadores ligados à sua estrutura, mas o aumento significativo da espessura dérmica apareceu apenas entre as praticantes de musculação.

A derme é a camada abaixo da epiderme e contém colágeno, elastina e outras substâncias que dão sustentação e elasticidade à pele. Com o envelhecimento, ela tende a ficar mais fina. A perda de firmeza pode se intensificar após a menopausa, quando cai a produção de estrogênio.

Segundo a dermatologista Mariana Muniz, integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o resultado sugere um possível benefício adicional da musculação. Ela afirmou que os dois grupos melhoraram a qualidade da pele, mas que o ganho de espessura foi observado no grupo que fez exercícios de força.

A explicação possível envolve as miocinas, moléculas produzidas pelos músculos que funcionam como sinais para outros tecidos. Durante o exercício, o músculo também atua como um órgão endócrino: libera substâncias que circulam pelo organismo e podem influenciar processos metabólicos, inflamatórios e celulares.

Entre as células que podem responder a esses sinais estão os fibroblastos, responsáveis pela produção de colágeno, elastina e componentes da matriz extracelular, estrutura que dá suporte à pele. A hipótese é que as respostas desencadeadas pela atividade física contribuam para a manutenção desses tecidos. Ainda assim, o estudo não permite concluir que a musculação aumente diretamente a produção de colágeno na pele.

Uma revisão científica publicada em maio no American Journal of Lifestyle Medicine reuniu pesquisas sobre hábitos de vida e envelhecimento cutâneo. Na parte relacionada à atividade física, as autoras destacaram resultados promissores sobre espessura da derme, manutenção do colágeno e redução de processos inflamatórios associados ao envelhecimento.

A inflamação é outro mecanismo considerado nessa relação. Pesquisadores observaram alterações em substâncias circulantes ligadas à regulação inflamatória, que pode participar da deterioração de células e tecidos ao longo do tempo. Muniz avaliou que o exercício pode atuar tanto em fatores associados à manutenção da pele quanto na redução de fatores que a prejudicam.

O possível efeito não se restringiria ao rosto, já que mudanças na espessura da pele e na quantidade de colágeno ocorrem em diferentes regiões do corpo. Por isso, a dermatologista comparou a resposta sistêmica da musculação a um “bioestimulador de colágeno da pele como um todo”. A expressão é uma comparação, não uma indicação de que o exercício tenha o mesmo mecanismo ou resultado de um procedimento dermatológico.

A menopausa dá contexto à investigação: a queda do estrogênio acelera mudanças na pele, e estimativas citadas apontam que a perda de colágeno pode chegar a 30% nos primeiros cinco anos após essa fase. A musculação pode ser uma aliada da saúde geral e, possivelmente, da pele, mas não substitui protetor solar, tratamentos tópicos ou procedimentos recomendados por profissionais.

Os resultados ainda devem ser interpretados com cautela: o estudo acompanhou um grupo específico de mulheres por 16 semanas, e não estabelece que os mesmos efeitos ocorram em todas as pessoas ou em prazos mais longos. A pesquisa amplia o interesse sobre como o exercício pode influenciar a pele, mas não transforma a musculação em tratamento dermatológico comprovado.

Para entender

Derme
Camada da pele localizada abaixo da epiderme. Contém estruturas como colágeno e elastina, que contribuem para a sustentação e a elasticidade da pele.
Miocinas
Moléculas sinalizadoras produzidas pelos músculos, especialmente durante a atividade física. Elas podem circular pelo organismo e participar da comunicação entre tecidos, influenciando diferentes processos biológicos.

Fontes: Estadão

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