Estátua de João Goulart é pichada pela segunda vez em Porto Alegre
A Polícia Civil abriu inquérito para identificar os responsáveis e apurar quando as marcas vermelhas foram feitas; a motivação política não foi confirmada.
Resumo em 30 segundos
A estátua de João Goulart, na Orla do Guaíba, foi pichada pela segunda vez desde sua instalação. A Polícia Civil investiga o caso como dano qualificado. A família do ex-presidente considera possível motivação política, mas a investigação ainda não encontrou elementos concretos que confirmem essa hipótese. A prefeitura informou que providencia a limpeza do monumento.
A estátua do ex-presidente João Goulart, o Jango, foi pichada pela segunda vez desde que foi instalada na Orla do Guaíba, em Porto Alegre. A Polícia Civil abriu nesta quinta-feira (22) um inquérito para apurar o vandalismo, depois que familiares do político registraram ocorrência; as marcas vermelhas foram vistas na terça-feira (20), no rosto e no busto do monumento.
O caso é investigado pela 2ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre como dano qualificado. A delegada Elisa Ferreira de Souza afirmou que as diligências buscam identificar os responsáveis e determinar quando as pichações foram feitas. Até agora, a investigação não encontrou elementos concretos que indiquem motivação política, mas essa possibilidade não foi descartada.
Christopher Goulart, neto do ex-presidente, divulgou o episódio nas redes sociais e disse que a depredação atinge a memória de Jango e a democracia. Ele e o irmão, José Dinarte, formalizaram a denúncia à Polícia Civil. A família considera que o ato pode ter motivação política, pois as duas depredações ocorreram em períodos de campanha eleitoral.
A primeira pichação foi percebida em 25 de agosto, nove dias depois do início das campanhas para as eleições gerais de 2026. O monumento foi instalado em dezembro do ano passado. João Goulart foi deposto pelo golpe militar de 1964 e morreu no exílio.
A Fundação Caminho da Soberania (FCS), responsável pela iniciativa de homenagem e pela arrecadação de recursos para a obra, pediu à prefeitura, na quarta-feira (21), imagens das câmeras instaladas perto da estátua. A entidade também solicitou que o monitoramento seja redirecionado ou que novos equipamentos passem a filmar diretamente o monumento, para ajudar a prevenir novos danos e identificar eventuais responsáveis.
Carlos Vieira da Cunha, presidente da fundação e ex-deputado federal, afirmou que o prefeito Sebastião Melo telefonou nesta quinta-feira e se comprometeu a atuar com a Brigada Militar para redirecionar o monitoramento e proteger o local. A Secretaria de Segurança de Porto Alegre informou que não recebeu denúncia sobre o episódio e não dispõe de imagens do ocorrido.
A Secretaria Municipal de Cultura lamentou o vandalismo e informou que está providenciando a limpeza da estátua de bronze. A pasta afirmou que a prefeitura trabalha para preservar e valorizar o patrimônio cultural da cidade, incluindo monumentos que representam a memória e a história de Porto Alegre.
A FCS também começou a arrecadar recursos para restaurar a obra antes de 6 de dezembro, quando está prevista uma homenagem a Jango no local. Vieira da Cunha disse que a fundação quer deixar a estátua pronta para a cerimônia e destacou o simbolismo da memória do ex-presidente na história política brasileira.
O monumento fica na confluência das avenidas Edvaldo Pereira Paiva e Aureliano de Figueredo Pinto, em frente à Rótula das Cuias. A obra foi criada pelo escultor Otto Dumovich, também responsável pela estátua do ex-governador Leonel Brizola, instalada ao lado do Palácio Piratini. A fundação financiou a confecção da peça e a preparação do terreno; a prefeitura cedeu o espaço.