Empresas brasileiras investem US$ 11,6 bilhões nos Estados Unidos
A JBS destinará US$ 835 milhões a fábricas no país; os aportes brasileiros também incluem projetos da WEG e da Embraer.
Resumo em 30 segundos
Empresas brasileiras investiram US$ 11,6 bilhões nos Estados Unidos desde o início do segundo mandato de Donald Trump, segundo dados do Banco Central. Entre os projetos anunciados estão US$ 835 milhões da JBS para fábricas. A Amcham mapeou 35 novos projetos produtivos no país nos últimos 12 meses, avaliados em cerca de US$ 1,2 bilhão.
Desde o início do segundo mandato de Donald Trump, empresas brasileiras investiram US$ 11,6 bilhões nos Estados Unidos, incluindo US$ 9,5 bilhões no ano passado e US$ 2,1 bilhões entre janeiro e junho deste ano. Entre os anúncios está o da JBS, que destinará US$ 835 milhões à construção e modernização de fábricas no país. Os aportes ocorrem após a adoção de tarifas comerciais pelo governo americano e fazem parte de uma retomada dos investimentos brasileiros no mercado dos EUA.
Os valores contabilizados pelo Banco Central (BC) correspondem a investimentos diretos, como participação no capital de empresas e reinvestimento de lucros. Não incluem aplicações financeiras em ações, títulos de renda fixa, derivativos e outros ativos. Com o volume registrado, os Estados Unidos se tornaram o terceiro principal destino dos investimentos brasileiros no exterior, atrás da Suíça e das Ilhas Virgens Britânicas.
Além da JBS, outras companhias brasileiras anunciaram projetos no país. A WEG prevê investir US$ 77 milhões para ampliar uma fábrica de transformadores especiais em Washington, voltada a atender à demanda de centros de dados e da rede elétrica americana. A Embraer, por sua vez, anunciou US$ 70 milhões para instalar um hangar de manutenção de jatos comerciais no Texas.
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) identificou 35 novos projetos produtivos brasileiros nos Estados Unidos nos últimos 12 meses. Juntos, eles representam cerca de US$ 1,2 bilhão. Os projetos abrangem vários setores, com destaque para alimentos, especialmente carnes e café solúvel, além de software e tecnologia da informação. Também há iniciativas em equipamentos para energia, produtos químicos, logística, serviços financeiros e siderurgia.
Consultores que acompanham a internacionalização de empresas afirmam que as tarifas aceleraram algumas decisões. A medida aumenta o interesse de companhias em produzir ou operar diretamente nos Estados Unidos, em vez de depender apenas das exportações para acessar o mercado. O tamanho do público consumidor e a busca por diversificação e crescimento também pesam nas escolhas.
Renato Alves de Oliveira, diretor da consultoria Bicalho, disse que empresas têm reavaliado o modelo de exportação e considerado instalar operações nos Estados Unidos. Para ele, a internacionalização também passou a integrar estratégias de proteção dos negócios. O movimento, segundo consultores, ocorre em um cenário em que algumas companhias encontram dificuldades para crescer no Brasil, entre elas os juros altos.
O estoque de investimentos brasileiros nos Estados Unidos havia caído de US$ 42,8 bilhões para US$ 28,5 bilhões e voltou a superar US$ 38 bilhões durante o governo Trump. Flávio Inacarato, sócio da Naventia, afirmou que empresas já instaladas no país podem ter mais condições de enfrentar tarifas. Ele citou como exemplo as exceções concedidas a componentes da aviação civil, que foram poupados das cobranças extras.
O governo brasileiro avalia, porém, que os investimentos diretos entre países refletem principalmente planos de longo prazo das empresas e tendem a responder menos a fatores temporários. Em manifestação sobre o tema, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) afirmou que o Brasil tem interesse em manter e ampliar os investimentos nos dois sentidos, em uma relação equilibrada. O órgão também mencionou aportes de empresas brasileiras em setores como indústria, alimentos, agronegócio, aeroespacial e tecnologia.
No agronegócio e no setor de alimentos, os investimentos incluem aquisição de ativos, processamento local e distribuição direta aos consumidores americanos. Na área de tecnologia, o ministério citou a Stefanini, que executa um programa global de investimentos de R$ 2 bilhões, com foco no mercado dos Estados Unidos.
A alta dos aportes nos EUA contrasta com a retração registrada na China. O estoque de investimentos brasileiros no país asiático caiu de US$ 3,8 bilhões para US$ 1,6 bilhão no ano passado, segundo dados do BC. Entre os fatores apontados para a redução estão tensões geopolíticas, regras mais rígidas para empresas estrangeiras e a desaceleração econômica associada à crise imobiliária chinesa.
Apesar da queda na China, o total de investimentos brasileiros no exterior cresceu continuamente nos últimos sete anos. Os dados mais recentes, referentes a 2025, mostram mais de US$ 562 bilhões aplicados por empresas brasileiras em negócios fora do país. Esse valor é mais que o dobro do registrado 14 anos antes.