Empresas ampliam uso de recebíveis para financiar investimentos
O volume antecipado com base em notas fiscais chegou a R$ 12 bilhões no primeiro semestre, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025.
Resumo em 30 segundos
Empresas brasileiras recorrem à antecipação de recebíveis não só para cobrir despesas cotidianas, mas também para financiar investimentos. Levantamento da Finnet aponta que o volume baseado em notas fiscais alcançou R$ 12 bilhões no primeiro semestre, enquanto o tíquete médio das operações aumentou entre 2024 e 2025. Juros altos e crédito restrito ajudam a explicar a busca pela modalidade.
Empresas brasileiras ampliaram o uso da antecipação de recebíveis no primeiro semestre, recorrendo à modalidade não apenas para cobrir despesas do dia a dia, mas também para financiar investimentos. O volume antecipado com base em notas fiscais chegou a R$ 12 bilhões, alta de 10% ante igual período de 2025, segundo levantamento da fintech Finnet.
A antecipação transforma em dinheiro disponível valores que uma empresa receberia mais adiante por vendas já realizadas. No caso das notas fiscais, o fornecedor cede o direito de receber o pagamento antes do vencimento. O recurso pode reforçar o capital de giro — dinheiro usado para manter a operação — ou custear outras necessidades da empresa.
O crescimento do volume financeiro superou o da quantidade de notas antecipadas, indicando preferência por operações de maior valor. O tíquete médio avançou de R$ 33,3 mil em 2024 para R$ 38,6 mil em 2025, de acordo com o levantamento. Para Luiz Henrique Cineli, head de crédito da Finnet, juros altos e exigências maiores de garantias levaram empresas a buscar recursos por meio de programas de risco sacado.
No risco sacado, uma instituição financeira antecipa ao fornecedor o valor de uma venda feita a prazo. A avaliação de crédito considera principalmente a capacidade de pagamento da empresa compradora, chamada de empresa-âncora, que pode ter uma classificação de risco melhor que a do fornecedor. Assim, a operação usa uma transação comercial existente para liberar recursos antes do prazo previsto.
A modalidade tradicionalmente atende necessidades de capital de giro, mas, segundo Cineli, também tem sido usada para investimentos na própria operação. Os recebíveis costumam ter prazo menor que o de empréstimos bancários, o que limita o período de financiamento. Ainda assim, a restrição de crédito e o custo elevado das linhas convencionais podem tornar a antecipação uma alternativa para empresas que precisam de liquidez.
A antecipação de recebíveis de cartão de crédito também é comum no país. Bancos e empresas adquirentes — que processam pagamentos feitos em maquininhas — podem adiantar valores de vendas que seriam pagos ao comerciante posteriormente. Essa opção costuma ser usada para compromissos de menor valor e despesas cotidianas, enquanto operações lastreadas em notas fiscais tendem a envolver quantias maiores.
A expansão da duplicata escritural, versão eletrônica do título que representa vendas a prazo de produtos e serviços, também coloca a antecipação de notas fiscais em evidência. O ambiente de crédito segue sujeito aos juros e às condições de concessão dos bancos. Cineli avalia que períodos de restrição costumam estimular soluções vinculadas a recebíveis, mas afirma que ainda é cedo para estimar os efeitos do cenário econômico sobre o setor.
Para entender
- Risco sacado
- Modalidade em que uma instituição financeira antecipa ao fornecedor o pagamento de uma venda a prazo. A análise de crédito considera principalmente a capacidade de pagamento da empresa compradora, que pode ter melhor avaliação de risco que o fornecedor.
- Duplicata escritural
- Versão eletrônica da duplicata, título ligado à venda a prazo de produtos ou serviços. Ela registra digitalmente informações da operação e pode representar um recebível usado em transações de crédito.