Eleitores dos EUA escolhem Congresso nas midterms nesta terça
A votação renova as 435 cadeiras da Câmara e 35 do Senado; pesquisas e projeções indicam vantagem democrata, mas não definem o resultado.
Resumo em 30 segundos
Os americanos votam nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, que renovam toda a Câmara e cerca de um terço do Senado. Uma pesquisa nacional mostrou preferência pelos democratas, e projeções apontaram maioria democrata nas duas Casas. Os números são estimativas, não resultados eleitorais.
Os americanos vão às urnas nesta terça-feira (3) para eleger os 435 integrantes da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 senadores, nas eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms. A votação ocorre após o encerramento das campanhas, nesta segunda-feira (2), em um pleito que pode mudar o controle do Congresso e limitar a agenda do presidente Donald Trump.
As midterms acontecem na metade do mandato presidencial de quatro anos. Além dos congressistas, eleitores também escolhem autoridades estaduais e locais, embora as disputas variem de acordo com cada lugar. O resultado define a composição das duas Casas do Congresso: todos os assentos da Câmara são renovados, enquanto o Senado tem eleições escalonadas, com cerca de um terço das vagas em disputa.
Uma pesquisa nacional Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda indicou preferência de 46% dos eleitores pelos democratas e 38% pelos republicanos quando perguntados sobre qual partido gostariam de ver no comando do Congresso. A diferença caiu em relação à sondagem da semana anterior, que apontava vantagem democrata de 11 pontos percentuais. Esse indicador mede a preferência geral, mas não prevê diretamente o resultado das disputas por estado e distrito que determinam as maiorias.
A projeção final do Decision Desk HQ estimou 241 cadeiras democratas e 194 republicanas na Câmara. Para o Senado, projetou uma maioria democrata de 52 a 48. São previsões, não resultados: a apuração ocorre depois do fechamento das urnas, e a data para conhecer o desfecho pode variar conforme a disputa e a contagem dos votos.
A alta dos preços dos combustíveis desde o início da guerra contra o Irã, em fevereiro, foi apontada como um fator de vulnerabilidade para os republicanos. Durante a campanha, o partido defendeu os cortes de impostos de Trump e sua política migratória. Mais de 57 milhões de americanos já tinham votado antecipadamente antes da terça-feira, sinal de forte participação antes do dia oficial da eleição.
No último evento de campanha, Trump falou pouco sobre a economia e abordou sobretudo as obras no espelho d’água do Lincoln Memorial, em Washington. “Este é o último dia antes das eleições de meio de mandato, as mais importantes, acredito, de nossas vidas”, declarou. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, chamou o discurso de “mensagem final patética”.
A campanha gastou mais de US$ 11 bilhões em publicidade política. O empresário Elon Musk, aliado de Trump, destinou centenas de milhões de dólares a candidatos republicanos. O presidente disse que acompanharia os resultados na Casa Branca e afirmou: “Eu veto tudo”, ao falar sobre a possibilidade de os democratas controlarem o Congresso.
A disputa também foi marcada por ações judiciais ligadas à votação. A Suprema Corte rejeitou um pedido para separar votos pelo correio de mais de 20 mil pessoas na Califórnia, sob a alegação de que poderiam não ser cidadãs americanas. No Alasca, um tribunal barrou uma iniciativa do Departamento de Justiça para impedir a certificação da disputa ao Senado caso o republicano Dan Sullivan perdesse por margem estreita.