Eleitores dos EUA reprovam Trump por inflação antes das eleições
A desaprovação à gestão dos preços subiu de 58% em maio para 68%; entre os independentes, chega a 77%, aponta pesquisa da Focaldata.
Resumo em 30 segundos
Pesquisa da Focaldata e do Financial Times mostra que 68% dos eleitores americanos desaprovam a atuação de Donald Trump contra a inflação e o custo de vida. O índice é de 77% entre independentes. Preços mais baixos e uma economia mais forte lideram as prioridades às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro.
Quase 70% dos eleitores dos Estados Unidos desaprovam a forma como o presidente Donald Trump conduz o combate à inflação e ao custo de vida, segundo uma pesquisa nacional da Focaldata e do Financial Times divulgada nesta segunda-feira (2). O levantamento foi feito às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para terça-feira (3), que vão definir a composição do Congresso americano.
A reprovação chega a 77% entre eleitores independentes. No conjunto dos entrevistados, o índice subiu de 58% em maio para 68% na pesquisa mais recente. Quando perguntados sobre o que esperam do governo após a votação, os participantes apontaram preços menores e uma economia mais forte como prioridade principal.
A inflação e o custo de vida se tornaram pontos de pressão para os candidatos republicanos, alguns dos quais tentam se distanciar de Trump durante a campanha. Eleitores associam ao presidente os custos elevados de energia, alimentos e saúde. A pesquisa também identificou vantagem de cerca de 14 pontos para os democratas quando os entrevistados compararam qual partido está mais preparado para lidar com esses temas.
O preço dos combustíveis e os efeitos econômicos da guerra dos Estados Unidos contra o Irã, que já durava oito meses no momento da pesquisa, pesam no debate eleitoral. As tarifas impostas por Trump e seu índice geral de aprovação, em torno de 34% no levantamento mais recente do Financial Times, também são apontados como desafios para os republicanos.
As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e renovam todos os assentos da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. O resultado determina qual partido controla cada Casa do Congresso, com impacto sobre a tramitação de leis e a fiscalização do governo. As projeções citadas no levantamento indicavam que os democratas tinham chance de conquistar a maioria na Câmara; algumas também apontavam possibilidade de vitória no Senado.
A insatisfação não se limita à economia. A redução da corrupção no governo foi a segunda prioridade mais mencionada para o período após a eleição. Em outra rodada da pesquisa, realizada em meados de outubro, cerca de 69% disseram estar preocupados com a corrupção no governo, incluindo quase metade dos participantes que votaram em Trump em 2024.
Imigração e segurança nas fronteiras estão entre os temas em que os republicanos preservam apoio: aproximadamente 50% consideraram o partido mais preparado para tratar do assunto. Ainda assim, apenas 28% incluíram a imigração entre as três questões que mais desejam ver melhoradas depois da votação. Saúde mais acessível e menor envolvimento dos Estados Unidos em guerras no exterior também apareceram entre as prioridades.
O levantamento foi realizado on-line pela Focaldata entre 30 de outubro e 1º de novembro, com 2.163 eleitores registrados. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pressão sobre os preços também aparece nas respostas de empresas industriais dos Estados Unidos. Uma pesquisa mensal do Institute for Supply Management divulgada nesta segunda-feira registrou dois terços de respostas negativas, embora a produção tenha crescido pelo 12º mês consecutivo. Gestores citaram tarifas, a guerra e o custo de equipamentos e combustíveis entre as preocupações.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, são eleições realizadas no meio do mandato presidencial. Os eleitores escolhem todos os integrantes da Câmara dos Representantes e parte dos senadores. O resultado define a composição do Congresso e pode alterar o equilíbrio de poder entre o presidente e os partidos.