Eleições legislativas dos EUA podem mudar apoio de Trump no Congresso
Os americanos votam nesta terça-feira para renovar cadeiras na Câmara e no Senado; uma vitória democrata pode dificultar a agenda do presidente.
Resumo em 30 segundos
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem alterar o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. Se os democratas conquistarem uma ou as duas casas, poderão dificultar a agenda legislativa de Donald Trump e abrir caminho para investigações. O presidente também sinalizou que vetará propostas democratas.
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os integrantes do Congresso nas eleições legislativas de meio de mandato. O resultado pode definir se o presidente Donald Trump manterá o apoio republicano nas duas casas ou enfrentará um Congresso controlado, total ou parcialmente, pelos democratas nos pouco mais de dois anos restantes de seu mandato.
A disputa envolve as duas câmaras do Legislativo federal: a Câmara dos Representantes e o Senado. As eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial e podem alterar o equilíbrio de poder em Washington, afetando a aprovação de leis e a capacidade de fiscalização do governo. Uma vitória democrata em uma ou nas duas casas abriria caminho para investigações sobre a administração e poderia dificultar a agenda legislativa de Trump.
O presidente afirmou que vetará as propostas democratas caso os republicanos percam. “Se não vencermos, vetaremos tudo” da agenda legislativa democrata, disse Trump. Ele também declarou à revista Time: “Provavelmente vão atrás de mim, e eu vou atrás deles”. A Casa Branca afirma estar preparada para reagir a investigações ou a uma eventual tentativa de impeachment.
O resultado também pode intensificar a disputa política em torno da apuração. Trump contestou, sem fundamento, sua derrota na eleição presidencial de 2020. Ele poderá voltar a questionar resultados ou tentar atrasar a certificação dos votos, segundo as possibilidades apontadas por analistas. A certificação é o processo formal que confirma os resultados eleitorais.
Na política externa, o presidente dispõe de poderes mais amplos do que na área legislativa, mesmo se perder apoio no Congresso. A guerra contra o Irã pode continuar ou se intensificar, embora Trump tenha sinalizado, na véspera da votação, que novas negociações poderiam resultar em um acordo. A possibilidade de demissão do chefe do Pentágono, Pete Hegseth, também ganhou força enquanto o conflito se prolonga.
Trump deverá ainda pressionar a Ucrânia a aceitar um acordo com a Rússia. Novas conversas trilaterais estão previstas para a próxima semana. Uma cúpula na China, prevista para o fim deste mês, poderá reunir Trump, o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente russo, Vladimir Putin.
O presidente também pode manter ou acelerar o afastamento dos Estados Unidos de alguns aliados ocidentais e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No comércio, a expectativa é de continuidade de uma postura ativa, em meio à recente tensão com o Canadá.
A votação ocorre enquanto Trump também mantém os holofotes sobre si e evita definir um sucessor republicano para a eleição presidencial de 2028. Ele tem demonstrado reticência em apoiar o vice-presidente JD Vance ou o secretário de Estado Marco Rubio. Trump deixou, em grande medida, de sugerir que disputará um terceiro mandato, possibilidade proibida pela Constituição dos Estados Unidos.
Para entender
- Eleições de meio de mandato
- Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato ocorrem no meio do período presidencial. Elas renovam cadeiras do Congresso e podem mudar o equilíbrio entre os partidos na Câmara dos Representantes e no Senado.