Inflação pressiona Trump e republicanos antes das eleições de 2026
Com o PIB e o consumo em alta, preços que avançam mais que os salários alimentam o descontentamento dos eleitores às vésperas da votação.
Resumo em 30 segundos
A inflação e o custo de vida se tornaram pontos centrais da campanha para as eleições legislativas americanas de 2026. Embora o PIB e o consumo tenham crescido no terceiro trimestre, os preços subiram mais que os salários. O resultado da votação definirá se os republicanos mantêm o controle do Congresso.
A inflação e o custo de vida se tornaram os principais pontos de pressão para Donald Trump e os republicanos às vésperas das eleições legislativas americanas de 2026, marcadas para terça-feira. Em comícios pelo país, o presidente tem defendido que a economia está forte e prometido reduzir os preços, enquanto dados recentes mostram que a inflação acelerou e supera o crescimento dos salários horários.
A votação de meio de mandato escolherá os integrantes do Congresso dos Estados Unidos. O resultado definirá se os republicanos mantêm o controle das duas casas legislativas e, portanto, quanta margem Trump terá para avançar sua agenda econômica no restante do mandato. Pesquisas recentes apontam insatisfação dos eleitores com os preços, embora os dados citados não tragam projeções numéricas sobre o resultado eleitoral.
Na quinta-feira, relatórios do governo apresentaram um quadro misto: o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o valor dos bens e serviços produzidos, avançou a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre. O consumo das famílias, um dos motores da atividade, cresceu a uma taxa anualizada de 3,8% no período. Ao mesmo tempo, os preços subiram mais rapidamente em setembro do que um ano antes e continuaram a avançar mais que os salários.
A diferença entre os indicadores gerais e o cotidiano dos consumidores tem marcado a campanha. Gasolina, alimentos, planos de saúde, crédito e moradia estão entre os custos que pesam no orçamento, segundo o quadro descrito pelos dados econômicos. Economistas observam que as famílias tendem a perceber diretamente o que pagam no supermercado e no posto, mesmo quando o crescimento geral da economia é robusto.
Tomas J. Philipson, economista da Universidade de Chicago que assessorou Trump no primeiro mandato, disse que parte dos aumentos de preços está associada a objetivos como a tentativa de desarmar o Irã. Ele afirmou que a economia também apresenta sinais de força, mas ponderou que as pessoas não acompanham apenas estatísticas agregadas e seguem irritadas com o encarecimento das compras frequentes.
A inflação havia recuado para cerca de 3% no dia da posse de Trump, depois de atingir níveis mais altos durante a pandemia. O presidente prometeu então mobilizar o governo para reduzir os custos rapidamente. Desde então, a adoção de tarifas sobre importações, mudanças regulatórias, cortes de impostos e o conflito com o Irã passaram a integrar o debate sobre as pressões econômicas.
As tarifas tornam produtos importados mais caros para consumidores e empresas, embora também elevem a arrecadação do governo. A política comercial foi contestada na Justiça e as taxas foram alteradas repetidamente. Já o pacote de cortes tributários favoreceu empresas, mas contribuiu para ampliar a dívida federal, que ultrapassou US$ 40 trilhões, segundo os dados citados. O aumento do endividamento do governo pode elevar o custo de empréstimos, inclusive para consumidores.
A mesma legislação iniciou cortes em programas federais de assistência alimentar e de saúde voltados a famílias de baixa renda. Em paralelo, o conflito com o Irã, que já durava nove meses no momento descrito, elevou os preços da energia e repercutiu em setores como aviação, agricultura, aquecimento e transporte de mercadorias. A combinação de fatores ampliou os custos de itens essenciais, enquanto os salários horários avançaram em ritmo menor que os preços.
Há indicadores favoráveis para a economia: a contratação tem sido lenta, mas estável; os mercados estão em alta e os consumidores continuam gastando. Satyam Panday, economista-chefe para os Estados Unidos da S&P Global Ratings, avaliou que os números apontam para um desempenho robusto, mas identificou a inflação como o principal ponto crítico e associou a ela o pessimismo persistente.
Na reta final da campanha, Trump intensificou as aparições em estados como Texas e Carolina do Sul, considerados redutos republicanos, além de Michigan. Em um comício no estado, afirmou que a inflação havia caído. Em Lubbock, no Texas, disse que os combustíveis estavam mais baratos, embora os preços estivessem mais de US$ 1 por galão acima do nível registrado quando assumiu o cargo, conforme dados da AAA, associação automobilística dos Estados Unidos. Na quinta-feira, em Rock Hill, na Carolina do Sul, celebrou o crescimento econômico e descreveu a economia como em expansão.