Eleição brasileira de 2026 preocupa governos de esquerda da região
A disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula será decidida no domingo, após pesquisa Datafolha apontar empate nos votos válidos e aliados regionais manifestarem preocupação.
Resumo em 30 segundos
Governos e lideranças de esquerda no México, no Uruguai e em Cuba acompanham com apreensão o segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. Uma eventual vitória do senador poderia reduzir a influência regional do bloco alinhado à esquerda. Pesquisa Datafolha divulgada antes da votação apontou empate nos votos válidos, dentro da margem de erro.
Governos e lideranças de esquerda no México, no Uruguai e em Cuba acompanham com preocupação a eleição presidencial brasileira, diante da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno. O segundo turno será realizado no próximo domingo (25), e uma vitória do senador poderia reduzir o peso político dos governos alinhados à esquerda na América Latina, segundo avaliações de lideranças e analistas citadas no debate regional.
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, disse que é preciso esperar o resultado da votação. Ela afirmou que seu principal aliado é o povo mexicano, mas criticou a expansão de governos de direita na região, que, em sua avaliação, não representam os interesses populares. Sheinbaum também declarou que seu governo combate uma tentativa de intervenção da direita internacional no México.
No Uruguai, integrantes da Frente Ampla descreveram a eleição brasileira como uma disputa entre democracia e barbárie e manifestaram receio de que uma vitória da direita afete direitos sociais. Em Cuba, a Casa das Américas defendeu uma mobilização internacional contra o que chama de avanço do neofascismo e considera a eleição brasileira um momento decisivo. O Brasil mantém relações históricas com Havana, incluindo créditos e recursos, que opositores do regime cubano avaliam que poderiam ser interrompidos com uma mudança de governo.
Analistas políticos apontam que o tamanho e a influência do Brasil fazem do país um eixo de articulação para governos de esquerda na região. Uma eventual derrota de Lula poderia retirar desse grupo um aliado relevante em fóruns internacionais e debates multilaterais, reduzindo sua capacidade de influenciar pautas continentais. Nesse cenário, México, Cuba e Uruguai poderiam ficar mais isolados politicamente.
As relações entre o governo Lula e alguns países da região já enfrentaram tensões. O Brasil e a Nicarágua expulsaram mutuamente seus embaixadores após divergências diplomáticas e críticas brasileiras à falta de liberdade eleitoral no país centro-americano. Venezuela e Guiana, embora lideradas pela esquerda, também se aproximaram dos Estados Unidos em temas de segurança e exploração econômica, sob a influência de Donald Trump.
A disputa no Brasil chega ao segundo turno sem um vencedor definido. Pesquisa Datafolha divulgada antes da votação apontou empate nos votos válidos: Flávio tinha 50,47% e Lula, 49,53%, números arredondados para 50% cada. A margem de erro era de dois pontos percentuais, e o levantamento não representava uma previsão do resultado.
No primeiro turno, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Votos válidos são os dados a candidatos, sem contar brancos e nulos; é com esse critério que a Justiça Eleitoral divulga o resultado. A votação de domingo definirá se a atual liderança brasileira na articulação regional mudará de orientação política.}