El Niño deixa Amazônia mais propensa a incêndios em 2026
Satélites registram mais fogo e fumaça, enquanto a Nasa prevê uma temporada severa; Manaus enfrenta ar péssimo e suspende atividades.
Resumo em 30 segundos
A seca associada ao El Niño aumenta o risco de incêndios na Amazônia, onde satélites já detectam mais fogo e fumaça. Em Manaus, a qualidade do ar chegou a níveis péssimos, com suspensão de aulas e atividades ao ar livre. A Nasa prevê novos focos nos próximos meses e recomenda evitar queimadas.
A seca associada ao fenômeno climático El Niño está deixando a Amazônia mais propensa a incêndios, segundo avaliação divulgada pela Nasa nesta quinta-feira (15). Satélites já registram aumento de fogo e fumaça na região, e a agência prevê uma temporada de queimadas que pode ser longa e severa.
Em Manaus, a fumaça reduziu a qualidade do ar a níveis considerados péssimos. Escolas, universidades e atividades ao ar livre foram suspensas, segundo a Nasa. Também há focos de incêndio perto de Santarém, no Pará, e da capital amazonense.
O cientista Douglas Morton, da agência espacial, afirmou que os focos fazem parte de uma sequência de queimadas que atinge regiões tropicais. Ele comparou a situação atual aos padrões observados durante o El Niño de 2015 e 2016, que voltaram a aparecer em 2023.
Naquele ano, a Amazônia enfrentou uma seca histórica. A estiagem fez os níveis dos rios caírem drasticamente, isolou comunidades e afetou a vida e a economia locais, que dependem do transporte fluvial. A Nasa afirma que a atual onda de incêndios, impulsionada pelo El Niño de 2026, segue um padrão semelhante.
Antes de chegar à Amazônia, a sequência já atingiu partes da Indonésia. Desde agosto, seca, fogo e fumaça afetam áreas do país; em outubro, centenas de casas foram destruídas por chamas, e uma densa camada de fumaça encobriu ilhas em muitos dias.
Morton afirmou que a Amazônia é o segundo ponto dessa cadeia de impactos. Ele espera mais incêndios em novembro e dezembro em Roraima, no norte do Pará, no Amapá e em áreas da Venezuela, da Guiana e do Suriname. Para agosto e setembro do próximo ano, o pesquisador apontou risco em áreas mais ao sul da Amazônia e no Paraguai.
O cientista recomendou evitar queimadas neste ano, inclusive em regiões onde ainda não há grande atividade de fogo. Embora raios possam provocar incêndios, isso ocorre raramente na Amazônia. A maior parte do fogo na região é causada por pessoas, em ações de limpeza de terrenos ou em atividades criminosas ligadas especialmente ao desmatamento.
A fumaça é formada por partículas e gases liberados na queima de vegetação e pode prejudicar a saúde e reduzir a visibilidade. A situação em Manaus também evidencia como os incêndios podem afetar serviços e atividades cotidianas, além das áreas diretamente atingidas pelas chamas.
Para entender
- El Niño
- Fenômeno climático natural ligado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial. Pode alterar padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do mundo, contribuindo para períodos de seca em algumas áreas.