MapBiomas aponta avanço da agropecuária e do desmatamento na Amazônia
Coleção 11 mostra que 77% das áreas desmatadas tiveram pastagem como primeiro uso registrado e que a mineração quase quadruplicou em quatro décadas.
Resumo em 30 segundos
A Coleção 11 do MapBiomas reúne dados de 1985 a 2025 sobre a cobertura e o uso da terra no Brasil. Na Amazônia, pastagens e agricultura avançaram, sobretudo perto de estradas e áreas protegidas. O levantamento também registra 693 mil hectares desmatados em 2025, o menor total da série, e expansão da mineração.
A área de pastagem no entorno de áreas protegidas da Amazônia cresceu 556% em 40 anos, segundo a Coleção 11 do MapBiomas, divulgada nesta quarta-feira, 14. O levantamento reúne mapas anuais da cobertura e do uso da terra no Brasil de 1985 a 2025 e aponta que a pecuária foi o principal uso identificado depois do desmatamento da floresta.
Em média, 77% das áreas desmatadas tiveram a pastagem como primeiro uso registrado. Ao final da série, em 2025, 37,7 milhões de hectares haviam se consolidado como pastagem. A agricultura também avançou: passou de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões em 2025. No mesmo intervalo, a área de soja aumentou de 1,4 mil hectares para 7 milhões.
A agropecuária se concentra perto de estradas e no entorno de áreas protegidas. Em uma faixa de até cinco quilômetros das vias, ocupa 40,2% do território, ou 63 milhões de hectares. A proporção cai para 26,7% quando considerado um raio de 20 quilômetros. Nesse intervalo, a atividade corresponde a 39% da área próxima à BR-163 e a 43,5% da área no entorno da BR-364.
Na faixa de 20 quilômetros da BR-319, a vegetação nativa representa 86% da área. Ao todo, o levantamento identificou 618 mil quilômetros de estradas na Amazônia, incluindo vias registradas em bases do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e do OpenStreetMap. Desse total, 41,5 mil quilômetros ficam dentro de áreas protegidas. O cálculo considera também caminhos que não integram a malha rodoviária oficial.
Para Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas, a abertura de estradas pode facilitar o acesso a locais antes isolados e a chegada de atividades e novas formas de ocupação. As áreas protegidas — que incluem territórios indígenas, unidades de conservação e terras quilombolas — mantêm 98% de sua cobertura como vegetação nativa. Ives Brandão, também pesquisador do MapBiomas, afirmou que esses territórios ajudam a conter a transformação da paisagem, mas ficam mais pressionados quando estradas e atividades se aproximam de seus limites.
A Amazônia teve 693 mil hectares desmatados em 2025, o menor total da série histórica apresentada. Desse montante, 639 mil hectares, ou 92%, correspondiam a vegetação primária; outros 54 mil hectares eram de vegetação secundária.
A perda de vegetação foi mais intensa em algumas regiões. No Amacro, área que reúne municípios do Amazonas, do Acre e de Rondônia, a redução chegou a cerca de 7 milhões de hectares desde 1985, equivalente a 16% da cobertura nativa. Embora ocupe 11% do bioma, a região concentra 13% da perda registrada no período. Entre 2015 e 2025, perdeu 2,7 milhões de hectares de vegetação, enquanto a área de pastagem aumentou 6,6 milhões de hectares desde 1985, ficando cerca de 15 vezes maior.
A mineração também ampliou sua presença. As áreas ocupadas por essa atividade passaram de 32 mil hectares em 1985 para 440 mil em 2025, quase 14 vezes mais. Quase metade da área minerada acumulada, 47%, foi aberta nos dez anos mais recentes da série.