Eduardo Bolsonaro critica extensão do horário de votação no Brasil
A decisão de Cristiano Zanin autorizou seções eleitorais a funcionar até as 19h; a medida também provocou críticas de aliados do ex-deputado.
Resumo em 30 segundos
Eduardo Bolsonaro criticou a decisão do ministro do STF Cristiano Zanin de estender até as 19h a votação do segundo turno. A ampliação atendeu a um pedido da campanha de Lula; a equipe de Flávio Bolsonaro também solicitou a medida em municípios de três estados, alegando dificuldades causadas pelas chuvas. Houve relatos de seções reabertas e de interrupção da apuração.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro criticou neste domingo (25) a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de ampliar em duas horas o horário de votação no Brasil. A medida, tomada durante o segundo turno das eleições, autorizou que as seções funcionassem até as 19h.
A decisão atendeu a um pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A equipe do senador Flávio Bolsonaro também solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a extensão do horário, mas apenas em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. A campanha justificou o pedido pelas chuvas intensas, que causaram deslizamentos, alagamentos e bloqueios de vias nessas regiões.
Em declarações feitas em Miami, Eduardo questionou a atuação de Zanin e disse que a decisão não teria relação com a Constituição. “Não traz credibilidade. Se nós falamos isso, estamos fazendo um ataque à democracia”, afirmou. Ele também criticou o fato de o ministro não integrar a Justiça Eleitoral.
Eduardo acompanhava a apuração em um evento com o comentarista político Paulo Figueiredo e o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem. Ramagem classificou a situação como “bem temerária”. Figueiredo, por sua vez, disse que a decisão tinha “cheiro de golpe” e associou sua avaliação à queda das chances de vitória de Flávio Bolsonaro em uma plataforma de apostas.
A prorrogação do horário pode afetar a organização das seções que já haviam encerrado a votação antes de receber a ordem. Em alguns locais, os boletins de urna tinham sido impressos e a apuração iniciada; o TSE determinou a interrupção da contagem. Em outros, as urnas foram reabertas, e eleitores que chegaram depois das 17h puderam votar em cédulas de papel.
A extensão do prazo não significou uma mudança geral no horário habitual de votação, mas uma autorização excepcional para que o processo continuasse até as 19h. Em Brasília, assim como nas demais localidades abrangidas pela decisão, o novo limite era o mesmo: quem ainda não havia votado poderia fazê-lo até esse horário, desde que a seção tivesse recebido a orientação e permanecesse apta a funcionar.
A missão de observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) afirmou que acompanhava relatos de problemas no transporte público em diferentes pontos do país. A entidade também disse que seguiria atenta às decisões do TSE sobre o tema. A preocupação com deslocamentos e condições climáticas esteve entre os motivos apresentados para a solicitação de ampliação do horário.