Dólar sobe com mercado atento ao índice PCE dos Estados Unidos
A moeda avançava 0,13%, a R$ 5,350, enquanto investidores aguardavam dados de inflação acompanhados pelo Fed e monitoravam o cenário eleitoral no Brasil.
Resumo em 30 segundos
O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira, enquanto investidores aguardavam a divulgação do índice PCE dos Estados Unidos, referência para o Federal Reserve. Por volta das 9h35, a moeda subia 0,13%, a R$ 5,350. Os juros futuros brasileiros recuavam, após a forte oscilação dos mercados na véspera da sessão.
O dólar abriu em leve alta nesta quinta-feira, 29, enquanto investidores acompanham a divulgação do índice de preços das despesas de consumo pessoal dos Estados Unidos, conhecido pela sigla PCE, e os desdobramentos da eleição brasileira. O indicador americano é observado pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, na definição da política de juros.
Por volta das 9h35, a moeda americana subia 0,13%, cotada a R$ 5,350. No mesmo horário, os juros futuros brasileiros recuavam: a taxa dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2028 caía três pontos-base, para 14,380%, e a de janeiro de 2031 diminuía seis pontos-base, para 15,05%.
O PCE mede a variação dos preços de bens e serviços adquiridos pelas famílias e é um dos indicadores usados pelo Fed para avaliar a inflação. O índice subjacente, também chamado de núcleo, exclui itens mais voláteis, como alimentos e energia, e ajuda a identificar tendências de preços. As informações divulgadas sobre o pregão não trazem os valores do PCE publicados nesta quinta-feira.
A reação dos mercados ocorre depois de uma sessão de forte oscilação na quarta-feira. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caiu 2,67%, para 171.006 pontos, em um movimento de ajuste após a eleição presidencial, cujo resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores.
O dólar fechou a quarta-feira em baixa de 0,03%, a R$ 5,346. Os contratos de juros futuros com vencimentos mais curtos ficaram perto da estabilidade, enquanto os de prazo longo avançaram. A taxa para janeiro de 2028 encerrou em 14,380%, com recuo de 0,01%, e a de janeiro de 2035 subiu 1,33%, para 15,105%.
Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, afirmou que os investidores ainda buscam um novo patamar para os juros depois da eleição. Segundo ele, as taxas mais longas refletem preocupações com o cenário fiscal e com as expectativas para os próximos anos, enquanto os vencimentos curtos têm oscilado menos.
Danilo disse que, passada a reação inicial ao resultado das urnas, o mercado espera mais clareza sobre os próximos passos do governo. Entre os pontos que acompanham estão a composição da equipe econômica, o Orçamento de 2027 e possíveis medidas de ajuste fiscal ainda neste ano.
A atenção internacional também se voltou para a decisão do Fed, que na quarta-feira manteve os juros dos Estados Unidos entre 3,75% e 4%. A decisão teve dez votos favoráveis e dois contrários e, segundo Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, estava de acordo com as expectativas do mercado.
Investidores buscam sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária na comunicação do banco central. As expectativas para a reunião de dezembro apontavam probabilidade próxima de 80% de uma nova alta de juros, segundo Benati.
Bruna Centeno, economista, sócia e advisor da Blue3, afirmou que a decisão de manter os juros já era esperada e que o mercado também considera os efeitos das tensões envolvendo os Estados Unidos. A escalada do conflito tem pressionado os preços do petróleo e elevado preocupações com a inflação americana. Às 17h14 de quarta-feira, o barril do Brent, referência mundial, recuava 0,05%, a US$ 113,95.
As Bolsas americanas terminaram o dia no azul: o Dow Jones subiu 0,19%, o S&P 500 avançou 0,28% e o Nasdaq ganhou 0,27%. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos também fecharam em alta. A taxa dos papéis de dez anos aumentou 0,54%, para 5,023% ao ano, enquanto a dos títulos de 30 anos avançou 0,73%, para 5,349% ao ano.
No Brasil, a discussão fiscal inclui a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo federal criado pela reforma tributária. Uma proposta apresentada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira prevê percentual de 11,3% em 2027 para manter a carga de tributos federais sobre o consumo, acima das projeções.
Franciny de Barros, sócia da área tributária do escritório Candido Martins Cukier, afirmou que uma alíquota maior que a esperada pode afetar o planejamento de empresas que já se preparavam para a transição. Cristina Camara, professora de direito tributário e financeiro da CEPED/UERJ, avaliou que o impacto pode ser maior no setor de serviços, que tem menos possibilidades de aproveitar créditos tributários.
Outra fonte de incerteza é a possibilidade de tributar investimentos atualmente isentos, como letras de crédito imobiliário e do agronegócio, certificados de recebíveis imobiliários e do agronegócio e debêntures incentivadas. Danilo disse que a eventual cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nesses instrumentos não é o principal fator de alta dos juros, mas acrescenta dúvidas sobre a previsibilidade das regras. A gestora RB Asset defendeu que, se houver tributação, os instrumentos recebam tratamento equivalente para evitar distorções entre produtos.