Investidores estrangeiros retiram R$ 2,8 bilhões da bolsa após eleição
Investidores institucionais sacaram R$ 3,3 bilhões no mesmo pregão, em que o Ibovespa caiu quase 14% e as empresas do índice perderam R$ 660 bilhões em valor de mercado.
Resumo em 30 segundos
No primeiro pregão após o segundo turno da eleição, investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da bolsa brasileira e institucionais sacaram R$ 3,3 bilhões. Apesar da saída diária, os estrangeiros ainda tinham saldo positivo em outubro e no ano. O mercado seguia em queda na quarta-feira, enquanto investidores reavaliavam suas posições.
Investidores estrangeiros retiraram R$ 2,8 bilhões da bolsa brasileira na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno da eleição presidencial. No mesmo dia, investidores institucionais sacaram R$ 3,3 bilhões, em uma sessão marcada pela queda de quase 14% do Ibovespa e pela perda de cerca de R$ 660 bilhões em valor de mercado das empresas do índice.
Apesar da saída, os investidores estrangeiros ainda acumulam aportes líquidos de R$ 13,3 bilhões em outubro e de R$ 40,7 bilhões no ano. Já os institucionais registram retiradas líquidas de R$ 3,3 bilhões no mês e de R$ 48,1 bilhões em 2026.
Os saques estrangeiros diários, entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões, começaram a ganhar volume nos dois pregões anteriores ao segundo turno. O movimento ocorreu enquanto a disputa eleitoral seguia apertada e pode ter refletido a realização de lucros e uma postura mais cautelosa, segundo a análise dos fluxos de mercado.
Na direção oposta, investidores institucionais e pessoas físicas ampliaram aportes nas sessões que antecederam a votação, elevando posições relacionadas à expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Após o resultado, esses participantes passaram a ter de ajustar as carteiras.
O mercado continuava sob pressão nesta quarta-feira (28), quando o Ibovespa recuava quase 3%. Fernando Fontoura, sócio-fundador e gestor da Persevera Asset, avaliou que investidores locais não conseguiram reduzir suas posições tanto quanto pretendiam na segunda e na terça-feira, apesar dos ajustes feitos.
“Descobrimos que, na segunda, quem mais cumpriu as suas necessidades de reduzir foram os gringos, e os locais acho que participaram um pouco, mas ficaram mais fora do movimento, esperando, talvez, um 'rebound' [repique], que veio parcialmente ontem, já que a performance das domésticas foi um pouco melhor”, disse Fontoura.
O gestor afirmou que a redução de posições voltou a ser uma prioridade enquanto os investidores reavaliam estratégias e as perspectivas para o quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, a falta de notícias positivas sobre possíveis indicações e sobre a postura do governo também influencia as decisões.
A saída de recursos de estrangeiros em um pregão não elimina, por si só, o saldo positivo acumulado no mês ou no ano. Os dados mostram fluxos líquidos: o resultado entre compras e vendas de ações por cada grupo de investidores. Assim, os estrangeiros podem ter vendido mais do que compraram na segunda-feira e, ainda assim, manter aportes líquidos positivos nos períodos mais longos.
Para entender
- Ibovespa
- Principal índice de ações da bolsa brasileira, reúne papéis de empresas negociados na B3. Sua variação é usada como referência para acompanhar o desempenho médio de uma carteira teórica de ações, não sendo uma medida direta do valor de todas as empresas do país.