Democratas divergem sobre novo impeachment de Trump após eleição
A maioria democrata na Câmara permitiria aprovar acusações por maioria simples, mas a condenação dependeria de 67 votos no Senado, número distante das projeções.
Resumo em 30 segundos
As eleições legislativas dos Estados Unidos podem dar aos democratas o controle da Câmara e abrir caminho para um terceiro processo de impeachment contra Donald Trump. O partido, porém, está dividido: opositores da iniciativa temem que uma tentativa sem votos para condená-lo no Senado fortaleça o presidente politicamente.
Os democratas não têm consenso sobre a abertura de um terceiro processo de impeachment contra Donald Trump caso conquistem a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições legislativas desta terça-feira, 3 de novembro, nos Estados Unidos. Parte do partido teme que uma tentativa sem votos suficientes para condenar o presidente no Senado permita que ele se apresente como alvo de perseguição política.
A eleição, conhecida como midterms, definirá o controle das duas Casas do Congresso a partir de janeiro de 2027. Uma maioria democrata na Câmara permitiria ao partido aprovar acusações de impeachment por maioria simples e ampliar investigações sobre o governo. A votação, porém, não levaria automaticamente ao afastamento de Trump.
A condenação ocorre no Senado e exige o apoio de dois terços dos parlamentares — 67 dos cem senadores. No melhor cenário projetado pelo Cook Political Report, os democratas chegariam a 54 cadeiras, considerando que venceriam todas as disputas avaliadas como equilibradas, inclusive em estados tradicionalmente republicanos, como o Texas.
O partido já abriu dois processos contra Trump durante seu primeiro mandato. Em 2019, a Câmara o acusou de abuso de poder e obstrução do Congresso. Em 2021, aprovou uma acusação de incitação à insurreição, após apoiadores do republicano invadirem o Capitólio e contestarem o resultado da eleição vencida por Joe Biden. O Senado não condenou Trump nas tentativas anteriores.
Entre os democratas contrários a uma nova iniciativa, há quem avalie que o processo poderia reforçar a imagem de Trump como um presidente enfrentando o sistema. Alguns defendem que as investigações se concentrem em familiares do presidente, como Donald Trump Jr., e em integrantes do governo, entre eles o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Uma pesquisa do Politico citada no debate indica que 54% dos americanos consideram que Trump cometeu infrações passíveis de impeachment. Mais de dois terços esperam que os democratas tentem afastá-lo caso conquistem a maioria. Entre eleitores democratas, há apoio à abertura de processos contra integrantes do governo: 65% defendem um impeachment do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.; 63%, de Hegseth; 58%, do vice-presidente J.D. Vance; e 49%, do secretário de Estado, Marco Rubio. Menos da metade dos americanos apoia essas iniciativas contra os integrantes do governo.
Outro argumento contra o impeachment é que manter Trump no cargo até 2028 poderia ser politicamente mais vantajoso para os democratas do que permitir que Vance assumisse a Presidência. Nesse cenário, o vice-presidente poderia se distanciar do governo e se apresentar como alternativa para a eleição seguinte. A vitória democrata na Câmara, portanto, abriria a possibilidade de um novo processo, mas não há consenso no partido de que esse seja o melhor caminho.