PF adia depoimento de André Esteves na investigação do Banco Master
A oitiva seria nesta segunda-feira, como parte da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de favorecimento ao banco por servidores do Banco Central.
Resumo em 30 segundos
A Polícia Federal remarcou, a pedido da defesa, o depoimento de André Esteves como testemunha na investigação sobre suspeitas de favorecimento ao Banco Master por servidores do Banco Central. A nova data não foi confirmada. Gabriel Galípolo, Roberto Campos Neto e Ailton de Aquino também devem ser ouvidos nesta semana.
A Polícia Federal (PF) adiou o depoimento do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, como testemunha na investigação sobre a suspeita de que servidores do Banco Central (BC) atuaram para favorecer o Banco Master. A oitiva estava prevista para esta segunda-feira, mas foi remarcada a pedido da defesa, que alegou compromissos profissionais; uma nova data ainda não foi confirmada.
O caso integra a Operação Compliance Zero, investigação da PF sobre possíveis irregularidades envolvendo o Master e dois ex-diretores do BC. Esteves não é investigado neste inquérito: foi chamado para depor como testemunha. Também devem ser ouvidos nesta semana, na mesma condição, o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, o ex-presidente da instituição Roberto Campos Neto e o diretor de fiscalização, Ailton de Aquino. As datas podem ser alteradas.
A investigação apura se Aquino e Belline Santana, também ex-diretor do BC, favoreceram o Master quando tinham responsabilidades de fiscalização. Os dois foram afastados da autoridade monetária em março, por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e negam as acusações. A PF decidiu ouvir novas testemunhas depois que os nomes surgiram em depoimentos dos ex-diretores.
A apuração também examina suspeitas de que os dois receberam valores milionários de Daniel Vorcaro, então dono do Master, enquanto trabalhavam no BC. O banco foi liquidado pela autoridade monetária em novembro de 2025. Liquidação é o processo pelo qual o regulador encerra as atividades de uma instituição financeira que não pode continuar operando, com a organização de seus ativos e obrigações.
Em depoimento à PF em julho, Paulo Sérgio Neves de Souza, outro ex-diretor de fiscalização do BC, afirmou que Aquino teria sido omisso e lhe recomendado “jogar parado” na fiscalização do Master em 2024. Souza relatou que a autoridade monetária pretendia analisar carteiras do banco em setembro daquele ano, quando Galípolo aguardava sabatina no Congresso. Segundo o depoimento, Aquino teria dito que o problema seria resolvido após Galípolo assumir a presidência.
Souza também afirmou que soube das suspeitas sobre o Master por meio de uma diligência prévia conduzida pelo BTG, processo de análise de informações de uma empresa antes de uma possível compra. O banco avaliava adquirir o Master, enquanto o BC buscava uma solução de mercado para a instituição. Em 29 de novembro de 2024, segundo Souza, Aquino telefonou para informar que o BTG havia identificado uma fraude de R$ 32 bilhões durante a análise.
De acordo com o relato, o BTG apresentou informações ao BC em São Paulo, em 3 de dezembro de 2024. Participaram da reunião Souza, Aquino, Renato Gomes, Diego Guillen e Campos Neto, que ocupavam cargos de direção na autoridade monetária. Os novos depoimentos devem complementar a investigação sobre a atuação dos servidores e as circunstâncias da análise do Master.
Para entender
- Operação Compliance Zero
- Investigação da Polícia Federal sobre possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master e à atuação de servidores do Banco Central. A apuração inclui suspeitas de favorecimento à instituição financeira por pessoas que tinham responsabilidades de fiscalização.
- Liquidação de instituição financeira
- Procedimento conduzido pelo regulador para encerrar as atividades de uma instituição financeira que não pode continuar operando. O processo envolve a organização dos ativos e das obrigações da instituição.