CVS planeja separar seguros e farmácias em duas empresas em 2028
A nova estrutura reunirá Aetna e Caremark em uma companhia e deixará a rede de cerca de 9 mil farmácias em outra; acionistas terão participação nas duas.
Resumo em 30 segundos
A CVS Health pretende se dividir em duas empresas independentes em 2028. Uma reunirá a seguradora Aetna e a gestora de benefícios farmacêuticos Caremark; a outra ficará com a rede de farmácias de varejo. A decisão foi anunciada antes dos resultados trimestrais, em meio a dúvidas sobre os efeitos do programa 340B.
A CVS Health anunciou nesta quarta-feira que pretende separar seus negócios em duas empresas independentes em 2028. Uma reunirá a seguradora Aetna e a gestora de benefícios farmacêuticos Caremark; a outra ficará com a rede de cerca de 9 mil farmácias de varejo, nos Estados Unidos.
As duas companhias terão ações negociadas em bolsa. Os atuais acionistas da CVS receberão participações nas duas empresas, que serão chamadas CVS Health e CVS Pharmacy, respectivamente. A separação reorganizará atividades hoje mantidas sob o mesmo grupo: seguros de saúde, gestão de benefícios de medicamentos e operação de farmácias.
A decisão foi divulgada antes da apresentação dos resultados do terceiro trimestre. Investidores também aguardam esclarecimentos sobre os efeitos do programa federal 340B nos negócios da empresa. O programa permite que hospitais públicos e clínicas comunitárias comprem medicamentos prescritos com desconto diretamente de fabricantes.
A CVS presta serviços a instituições participantes do 340B e obtém receitas ao dispensar medicamentos do programa em suas farmácias e ao administrar a intermediação das compras. Em agosto, executivos disseram que restrições impostas por fabricantes afetaram a receita do programa no segundo trimestre. A companhia afirmou que o impacto pode continuar em 2027, mas não detalhou quais fontes de receita ou serviços foram atingidos.
O 340B também é motivo de divergências entre fabricantes e instituições de saúde, especialmente após empresas farmacêuticas adotarem novas exigências para a coleta de dados sobre prescrições e sinistros. O volume de compras pelo programa chegou a US$ 100 bilhões no ano passado. A CVS não informa separadamente em seus demonstrativos quanto fatura com essa atividade.
Antes da divulgação dos resultados, a expectativa era de lucro ajustado de US$ 1,65 por ação no trimestre, acima dos US$ 1,60 registrados no mesmo período de 2025. A receita líquida era projetada em US$ 104,7 bilhões, ante US$ 102,87 bilhões um ano antes. No negócio de seguros, a estimativa para a sinistralidade era de 92,2%, abaixo dos 92,8% do terceiro trimestre do ano anterior. O índice compara os custos de atendimento médico com a receita de prêmios; uma queda tende a ser vista favoravelmente pelo mercado.
A preocupação com o 340B ganhou peso após a CVS alertar para possíveis efeitos sobre o desempenho futuro. Em agosto, as ações caíram 5%, para US$ 99,12, e fecharam a US$ 91,41 na terça-feira. Ainda assim, acumulavam alta de 15,2% no ano, frente a um avanço de 10,6% do mercado mais amplo.
A empresa havia estabelecido um piso de US$ 8,44 para o lucro ajustado por ação em 2027. O diretor financeiro, Brian Newman, afirmou que a CVS dispõe de “múltiplos caminhos” para cumprir as metas. Analistas consideravam que a explicação sobre os riscos do 340B para a divisão de serviços de saúde poderia influenciar as ações mais do que os números trimestrais.