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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

BlaBlaCar registra projeto de créditos de carbono no Brasil

Inscrito no Global Carbon Council em agosto, o projeto prevê monitorar as viagens por 12 meses e passar por auditorias antes da emissão dos créditos.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Carro com passageiros percorre uma estrada brasileira cercada por paisagem rural. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Carro com passageiros percorre uma estrada brasileira cercada por paisagem rural.
Resumo em 30 segundos

A BlaBlaCar registrou no Brasil um projeto para gerar créditos de carbono com as emissões que afirma evitar por meio de viagens compartilhadas. A emissão dependerá do monitoramento das caronas e de verificações independentes. Os créditos serão vendidos no mercado voluntário, e a empresa diz que passageiros e motoristas não pagarão taxas adicionais.

A BlaBlaCar registrou no Brasil um projeto para transformar em créditos de carbono as emissões que afirma evitar com viagens compartilhadas. A iniciativa foi inscrita em agosto de 2026 no Global Carbon Council (GCC), organismo responsável pela certificação, e prevê monitoramento das caronas e verificação independente antes da emissão do primeiro lote. O Brasil é o primeiro país escolhido pela plataforma para esse modelo no mercado voluntário de carbono.

O registro não significa que os créditos já tenham sido emitidos ou vendidos. Nos próximos 12 meses, a empresa pretende acompanhar os dados das viagens e submetê-los a auditorias independentes. Cada crédito deverá representar uma tonelada de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) efetivamente evitada, de acordo com os critérios do projeto.

A metodologia calcula a diferença entre as emissões de uma viagem compartilhada e as que ocorreriam nas alternativas prováveis dos passageiros e do motorista. Entre os cenários de comparação estão o uso de carro próprio, ônibus, avião ou trem, além da hipótese de o condutor viajar sozinho. O cálculo também considera trajetos de acesso a terminais e desvios feitos para buscar ou deixar passageiros.

A quantidade de créditos dependerá, portanto, de demonstrar que as viagens aconteceram e que as emissões consideradas foram realmente evitadas. A BlaBlaCar diz ter realizado pesquisas com cerca de 180 mil passageiros e 60 mil motoristas para estabelecer a linha de base, que representa o cenário sem o serviço. Segundo a empresa, especialistas em estatística participaram do trabalho, que passou por verificação independente.

A metodologia foi aprovada pelo GCC em fevereiro de 2025, depois de 18 meses de análise por especialistas independentes. O projeto brasileiro passou por mais 18 meses de auditorias até ser registrado. A companhia também submeteu a iniciativa a uma avaliação voluntária de riscos feita pela BeZero, especializada em projetos de carbono. Segundo a executiva Saunders, a classificação recebida foi BBB, a quarta melhor entre as categorias AAA, AA, A e BBB, e o projeto ficou entre os 15% mais bem avaliados do mundo.

A BlaBlaCar afirma que as caronas no Brasil evitam cerca de 60 mil toneladas de CO₂ por ano. No mundo, as viagens feitas pela plataforma teriam evitado aproximadamente 4 milhões de toneladas em 2025 e 12,7 milhões nos cinco anos anteriores. Os créditos serão vendidos a terceiros no mercado voluntário, e a receita deve ajudar a financiar a expansão da rede de viagens compartilhadas.

A empresa afirma que passageiros e motoristas não precisarão aderir a um programa ou pagar taxas adicionais. As emissões elegíveis serão calculadas automaticamente a partir das viagens reservadas. A proposta, segundo a companhia, é ampliar a oferta de caronas sem aumentar os custos para os usuários.

A escolha do país foi associada à escala da operação: a BlaBlaCar diz ter 25 milhões de usuários no Brasil, onde atua há sete anos. A empresa também aponta a dimensão territorial e a falta de acesso a transporte em cidades pequenas e comunidades rurais. “Em um país de dimensões continentais como o Brasil, a carona ajuda a conectar pequenas cidades e comunidades com acesso limitado ou inexistente a outros meios de transporte”, afirma Saunders.

Em 2025, os motoristas economizaram globalmente € 568 milhões com o rateio dos custos das viagens, segundo cálculo da empresa. No Brasil, a economia foi de € 125 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 750 milhões. A companhia diz que os créditos de carbono se somarão a outras iniciativas de sustentabilidade, mas não substituirão a redução das emissões de suas próprias operações.

A BlaBlaCar informou que sua pegada global foi de 340 mil toneladas de CO₂e em 2025, em inventário que segue o GHG Protocol, abrange os Escopos 1, 2 e 3 e foi auditado pela Deloitte. Cerca de 3% das emissões vieram de escritórios e operações diretas; 32% foram associados às caronas, 15% aos ônibus da BlaBlaCar Bus e 50% a serviços de terceiros vendidos pelas plataformas.

Entre as ações para reduzir essa pegada, a companhia cita o uso de energia renovável na sede, em Paris, a migração de servidores para nuvem abastecida por fontes renováveis e limites mais restritivos a voos corporativos. Em 2025, formalizou uma meta de reduzir em 16% a pegada até 2032, em relação a 2024, mesmo com o crescimento dos negócios. A empresa também pretende avaliar a expansão do modelo de créditos para México e Índia, condicionada a aprovações em cada país.

Para entender

Global Carbon Council
Organismo internacional que registra e certifica projetos de redução ou remoção de emissões de gases de efeito estufa. Seus procedimentos incluem metodologias para calcular os resultados e etapas de verificação, usadas para avaliar se um projeto pode gerar créditos de carbono.

Fontes: Valor Econômico

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