Chilli Beans pede recuperação extrajudicial para renegociar dívida
O plano abrange R$ 328,69 milhões em dívidas de sete empresas e prevê venda de ativos, possível entrada de sócios e aporte de até R$ 50 milhões por credores.
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A Chilli Beans pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 328,69 milhões em dívidas de sete empresas. O plano prevê venda de ativos, possível entrada de novos sócios e aporte de até R$ 50 milhões por credores. A medida ocorre após atrasos em pagamentos e queda no faturamento do grupo.
A Chilli Beans pediu recuperação extrajudicial à Justiça de São Paulo para renegociar R$ 328,69 milhões em dívidas de sete empresas do grupo. O plano prevê venda de ativos, possível entrada de novos sócios e aporte de até R$ 50 milhões pelos credores, além de alternativas de pagamento e aumento de capital. A companhia é liderada pelo fundador e CEO, Caito Maia.
A empresa chegou à Justiça com o apoio de credores que representam R$ 115,41 milhões, ou 35,11% do total abrangido. O grupo se comprometeu a obter adesão superior à metade dos créditos em até 90 dias, requisito para a homologação do plano. Os valores podem sofrer pequenos ajustes durante a conciliação, segundo a companhia.
Itaú, Akron e Vega são os financiadores âncora e coordenam a entrada dos recursos, informou a Chilli Beans. O aporte poderá chegar a R$ 50 milhões e será feito pelos próprios credores. A rede também confirmou que as operações de fusões e aquisições previstas na proposta envolvem a venda de participação na empresa. A gestora Gávea, que já foi sócia, não integra mais o quadro de acionistas.
A renegociação inclui dívidas sem garantia real ou parcialmente cobertas por garantias, operações de antecipação de recebíveis e risco sacado. Também contempla empréstimos contratados por franqueados quando empresas do grupo atuam como avalistas, fiadoras ou garantidoras. A petição afirma que salários e pagamentos a fornecedores não serão afetados. A companhia pediu à Justiça a suspensão de ações e execuções relativas aos créditos abrangidos, bem como de retenções e penhoras.
O pedido ocorre após atrasos em pagamentos e cobranças antecipadas de dívidas. A Mustang 25 Participações, uma das empresas do grupo, deixou de pagar uma parcela de notas comerciais, segundo comunicado da Vert Companhia Securitizadora. Após a falta de regularização no prazo adicional de dois dias úteis previsto em contrato, a securitizadora declarou o vencimento antecipado dos títulos e o resgate obrigatório das debêntures lastreadas neles. A Vert informou que notificaria a empresa para quitar o valor em até três dias úteis e convocaria uma assembleia de debenturistas.
Em 2 de outubro, os detentores de debêntures haviam aprovado a suspensão temporária dos efeitos do vencimento antecipado de uma dívida de R$ 89 milhões. O prazo para concluir a renegociação das parcelas vencidas terminava em 26 de outubro. No mesmo mês, o executivo André Dela Togna assumiu a vice-presidência para conduzir as conversas com bancos ao lado de Caito Maia.
A empresa argumenta que o atraso de uma sociedade pode afetar as demais por causa de cláusulas de vencimento cruzado e garantias compartilhadas. Essas condições permitem que a inadimplência de uma empresa provoque cobranças antecipadas ou medidas sobre outras do grupo. A petição diz que a proposta foi negociada durante meses e que havia tratativas avançadas para ampliar o apoio, especialmente entre bancos públicos.
A queda de receitas também aparece entre os fatores da crise. Nos nove primeiros meses de 2026, o faturamento bruto das empresas que pediram recuperação foi de R$ 151,26 milhões, 29,9% abaixo dos R$ 215,76 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025. Em todo o ano de 2025, a receita havia recuado 3,9%, para R$ 390,67 milhões.
A Chilli Beans atribui as dificuldades ao crédito mais caro, à retração do consumo, à redução do fluxo em shopping centers e à concorrência de plataformas asiáticas de baixo custo. A empresa também menciona investimentos para diversificar os negócios no segmento óptico. Segundo a petição, o financiamento mais caro afetou tanto a franqueadora quanto os franqueados, dificultando a abertura de lojas, a reposição de estoques e a manutenção das operações.
Para entender
- Recuperação extrajudicial
- É um mecanismo de renegociação de dívidas feito pela empresa diretamente com credores, com possibilidade de homologação pela Justiça. A Lei de Recuperação Judicial e Falências estabelece regras para o plano e para sua aplicação aos credores abrangidos.