Copom avalia Selic a 13,75% em meio a projeções de inflação em alta
A projeção do Focus para a inflação de 2027 subiu a 4,76%, e o Itaú elevou a sua estimativa para 6,1%; analistas divergem entre corte e manutenção dos juros.
Resumo em 30 segundos
O Copom decide nesta quarta-feira se mantém a Selic em 13,75% ao ano ou faz um corte de 0,25 ponto percentual. A inflação projetada para 2027 e 2028 subiu no Focus, e o Itaú elevou sua previsão para 2027 a 6,1%. A desaceleração da economia pesa a favor de reduzir os juros.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decide nesta quarta-feira, 4, se mantém a Selic em 13,75% ao ano ou faz um novo corte de 0,25 ponto percentual. As apostas dos analistas estão divididas, em meio a sinais de desaceleração da economia e a riscos de alta da inflação no Brasil.
As projeções para os preços subiram, sobretudo para 2027 e 2028, período considerado relevante para a política monetária. Na pesquisa Focus mais recente, a mediana das estimativas do mercado para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,22% para 2026, ante 4,34% para 2027 e 3,75% para 2028 nas previsões anteriores. Agora, as projeções para os dois últimos anos avançaram para 4,76% e 4%, respectivamente.
O Itaú elevou de 4,6% para 6,1% sua estimativa de inflação em 2027. O novo número supera o teto da meta, de 4,5%. Analistas avaliam que as previsões do mercado podem se aproximar de 6% ou ultrapassar esse patamar. Uma inflação persistente também pode se espalhar pela economia por meio da indexação, mecanismo pelo qual preços, contratos e rendas são reajustados com base na inflação passada.
Entre os fatores de pressão estão a alta dos preços agrícolas, associada a condições climáticas adversas ligadas ao El Niño, e o aumento dos custos de mão de obra. A estimativa citada para esse custo é de cerca de 30%, em decorrência da aprovação do fim da escala de trabalho 6x1. Também está prevista a entrada em vigor da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), tributo cuja alíquota foi calculada pelo Tribunal de Contas da União em 11,3%, acima dos cerca de 9% esperados por empresas.
Desde a reunião anterior do Copom, em setembro, o dólar subiu de R$ 5,15 para perto de R$ 5,50, enquanto o petróleo Brent avançou 15% em outubro. A defasagem entre os preços dos combustíveis no Brasil e as referências externas aumentou, e também está prevista a retomada de tributos sobre gasolina e diesel. Esses fatores podem pressionar custos e preços internos.
Em sentido contrário, a economia vem desacelerando mais rapidamente, o que poderia favorecer um corte dos juros. A Selic é a taxa básica usada pelo Banco Central para influenciar o custo do crédito e a atividade econômica: juros mais altos tendem a conter a demanda e a inflação, mas também podem desacelerar o crescimento. A decisão do Copom definirá se a autoridade monetária mantém o nível atual ou reduz a taxa diante desse balanço de riscos.