Itaú compra NeoSpace por R$ 2,925 bilhões para ampliar uso de IA
A startup desenvolve modelos de IA para grandes volumes de dados; a operação aguarda aval do Cade e do Banco Central e inclui cerca de 80 profissionais.
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O Itaú Unibanco anunciou a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. A tecnologia da empresa elevou em 10% a precisão dos modelos de crédito do banco. A operação depende de aprovação regulatória; após o aval, a NeoSpace deve concentrar suas atividades no Itaú e manter autonomia operacional.
O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira que desenvolve modelos de inteligência artificial (IA) voltados ao processamento de grandes volumes de dados. A transação foi avaliada em R$ 2,925 bilhões e depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC).
A NeoSpace começou a trabalhar com o banco há quase dois anos. A tecnologia da empresa ajudou a elevar em 10% a precisão dos modelos de crédito do Itaú, em comparação com os sistemas tradicionais que a instituição usava com outras tecnologias. Com a aquisição, o banco pretende aplicar a capacidade de análise de dados para desenvolver serviços e ofertas mais ajustados a cada cliente.
A startup trabalha com modelos fundacionais chamados Large Data Models (LDMs), que processam grandes conjuntos de dados. Eles diferem dos Large Language Models (LLMs), como os usados em ferramentas conhecidas pelo público, entre elas ChatGPT e Gemini. Os LLMs são treinados principalmente com textos, enquanto os LDMs foram concebidos para identificar padrões em grandes volumes de dados, como os registros e informações acumulados por uma instituição financeira.
O diretor de tecnologia da informação do Itaú, Ricardo Guerra, afirmou que a parceria surgiu da necessidade de aproveitar o conhecimento sobre produtos financeiros registrado nos dados e nos processos do banco. “Minha ambição é interagir de forma individualizada com cada cliente”, disse. Segundo ele, modelos desenvolvidos para esse propósito podem trabalhar com informações próprias do banco, em vez de depender apenas de sistemas prontos disponíveis no mercado.
A individualização deverá ser avaliada pelo impacto conjunto das ofertas e da experiência dos clientes, e não pelo retorno isolado da compra. Entre os indicadores considerados pelo banco estão a taxa de cancelamento de serviços, chamada de churn, a principalidade — medida do grau em que o cliente concentra suas operações financeiras na instituição — e a satisfação.
O Itaú já havia adquirido 15% da NeoSpace em janeiro de 2025, ao liderar uma rodada de investimento estimada em US$ 18 milhões. Cerca de US$ 15 milhões vieram do banco, que também firmou exclusividade com a startup no mercado financeiro brasileiro. Até a nova operação, a NeoSpace continuava atendendo clientes de outros setores.
Após a aprovação regulatória, a empresa deverá concentrar suas atividades no Itaú. A NeoSpace, porém, continuará operando de forma autônoma, sem integração de equipes com o banco. Bruno Pierobon permanecerá como CEO, e cerca de 80 profissionais da startup devem passar a integrar o grupo adquirido. Guerra afirmou que o Itaú quer preservar a cultura e a forma de trabalho criadas pela empresa.
A aquisição também amplia a atuação conjunta entre o banco e Pierobon. Ele foi um dos fundadores da Zup, companhia de tecnologia cujo controle foi comprado pelo Itaú em 2019, quando a empresa foi avaliada em R$ 575 milhões. Pierobon permaneceu como CEO da Zup até deixar o cargo para fundar a NeoSpace, em 2024, com Felipe Almeida e Gustavo Debs, também cofundadores da companhia.
Guerra disse que a independência em relação a modelos de IA disponíveis no mercado não foi o objetivo principal da compra, embora possa ser uma consequência. Para ele, os dados acumulados pelo Itaú ao longo da história do sistema financeiro brasileiro oferecem informações diferentes das usadas no treinamento de modelos de linguagem. A instituição considera que as duas tecnologias podem atuar em conjunto.
O banco afirmou que a estratégia de modernização tecnológica começou há cerca de dez anos, com mudanças para acompanhar novos hábitos de consumo, migração de sistemas para a nuvem e reorganização das equipes. A compra da NeoSpace dá ao Itaú acesso à tecnologia da startup e a profissionais especializados em IA, enquanto a operação aguarda a análise das autoridades reguladoras.