Copom inicia reunião que pode manter Selic em 13,75% ou cortar
Pesquisa com 75 instituições financeiras mostra divisão apertada: 39 projetam redução de 0,25 ponto percentual, e 36 esperam manutenção dos juros.
Resumo em 30 segundos
O Copom começa nesta terça-feira a reunião que definirá a Selic, hoje em 13,75% ao ano. Pesquisa com 75 instituições mostra previsões divididas entre um corte de 0,25 ponto percentual e a manutenção da taxa. Câmbio, petróleo, inflação e contas públicas estão entre os fatores que podem pesar na decisão e na sinalização para os próximos meses.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira (3) uma reunião para decidir se mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano ou reduz os juros em 0,25 ponto percentual. As projeções de instituições financeiras estão divididas sobre o resultado, em meio à pressão no câmbio, à alta do petróleo e a dúvidas sobre a inflação e as contas públicas após a eleição.
Uma pesquisa com 75 instituições aponta que 39 esperam um corte para 13,50% ao ano, enquanto 36 preveem a manutenção da taxa atual. O levantamento mostra que não há uma tendência clara entre as duas possibilidades. Analistas ouvidos por instituições do mercado também divergem sobre como o Banco Central deve interpretar os dados mais recentes da economia.
A Selic é a taxa básica de juros do país. O Banco Central a utiliza como principal instrumento para influenciar a inflação: juros mais altos tendem a encarecer o crédito e conter o consumo, enquanto cortes podem estimular a atividade econômica. A taxa básica também serve de referência para outras taxas cobradas por bancos e para aplicações financeiras, embora a rentabilidade de cada investimento dependa de seus próprios riscos e condições.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi seguida por uma alta do dólar e por maior preocupação de investidores com os rumos da política fiscal. O barril de petróleo também passou de US$ 110, impulsionado por tensões no Oriente Médio. Câmbio mais depreciado e petróleo caro podem elevar custos de produtos e combustíveis e, assim, aumentar a pressão sobre os preços.
Para o economista-chefe da EQI Investimentos, Stephan Kautz, o Copom ainda pode reduzir a Selic em 0,25 ponto, apoiado na avaliação de que a atividade econômica está mais fraca. Ele ressalta, porém, que a recente desvalorização do real é um movimento novo, cuja duração ainda não está clara. Kautz considera provável que este seja o último corte do ano e espera uma indicação de pausa no ciclo de redução dos juros.
A economista-chefe do Inter, Rafaela Vitoria, também prevê um corte de 0,25 ponto nesta reunião, mas avalia que a taxa de 13,50% continuaria restritiva o bastante para amortecer pressões inflacionárias esperadas no começo de 2027. Ela diz que o cenário não oferece espaço para novos cortes por enquanto e considera possível que o Comitê prefira manter os juros em 13,75% já nesta decisão.
Vitoria cita revisões para cima nas projeções de inflação para 2027. A estimativa do Inter para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, passou de 3,9% para 5%. Uma expectativa de inflação mais elevada pode pesar na decisão do Banco Central porque indica maior dificuldade para manter os preços próximos da meta.
Nicolas Borsoi, estrategista-sênior da Tullett Prebon, considera mais provável a manutenção da taxa. Para ele, o câmbio a R$ 5,40 e o petróleo a US$ 110 o barril reforçam os argumentos contra um corte. Simulações da MAG Investimentos também apontam que a projeção de inflação do Banco Central no horizonte relevante poderia subir de 3,2% para mais de 3,5%.
Entre os fatores de atenção para os próximos meses estão o El Niño, que pode afetar preços de alimentos, a força do mercado de trabalho e efeitos associados à reforma tributária. Analistas também mencionam possíveis pressões ligadas ao fim da escala de trabalho 6x1. Se o Copom reduzir os juros, Borsoi espera uma comunicação cautelosa, que explique os riscos e sinalize que novos cortes não estão garantidos.
A próxima reunião do Copom está prevista para 8 e 9 de dezembro. Os analistas citados na pesquisa esperam que a Selic permaneça no mesmo patamar até o fim do ano, qualquer que seja a decisão desta semana. A reunião de novembro, portanto, pode definir não só se haverá mais um corte agora, mas também o sinal do Banco Central sobre a continuidade do ciclo em 2027.