Copernicus prevê 2026 como segundo ano mais quente da história
A previsão aponta 99% de chance de superar 1,5°C, mas um único ano acima desse patamar não significa que a meta do Acordo de Paris foi oficialmente ultrapassada.
Resumo em 30 segundos
O Copernicus estima que 2026 terá 80% de chance de ser o segundo ano mais quente já registrado e 99% de chance de superar 1,5°C em relação ao período pré-industrial. Outubro também bateu recordes de temperatura do ar e dos oceanos. Um ano isolado acima do limite não significa que a meta de longo prazo do Acordo de Paris foi oficialmente ultrapassada.
O ano de 2026 deve terminar como o segundo mais quente já registrado e o segundo a superar a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, segundo projeções divulgadas nesta sexta-feira (6) pelo observatório europeu Copernicus. Há 20% de chance de que o ano iguale ou ultrapasse 2024, que mantém o recorde de temperatura global, de acordo com o órgão. Os dados foram divulgados às vésperas da abertura da COP31, em Antália, na Turquia.
A previsão para a média anual de 2026 é de aquecimento entre 1,56°C e 1,61°C em relação ao período pré-industrial. O Copernicus considera virtualmente certo, com 99% de probabilidade, que o resultado passe de 1,5°C. A chance de o ano ocupar o segundo lugar entre os mais quentes é estimada em cerca de 80%.
O limite de 1,5°C é uma meta central do Acordo de Paris, firmado em 2015 para conter o aquecimento global. Um ano isolado acima desse patamar não significa que a meta de longo prazo tenha sido oficialmente ultrapassada: a avaliação depende de uma elevação persistente ao longo de um período mais extenso. A média dos últimos quatro anos também caminha para superar 1,5°C, segundo o Copernicus.
Outubro foi o mês mais quente já registrado, com temperatura média global do ar 1,75°C acima dos níveis pré-industriais. Foi o terceiro mês consecutivo a ultrapassar 1,5°C. A temperatura média da superfície dos oceanos, excluídas as regiões polares, chegou a 20,95°C, recorde para outubro e acima da marca anterior, registrada em 2023.
No Pacífico tropical, área usada para acompanhar o El Niño, a anomalia da temperatura da superfície do mar atingiu 3,21°C. O fenômeno é uma variação natural que aquece as águas do Pacífico e altera padrões climáticos; neste caso, soma calor ao aquecimento provocado pela atividade humana. “Um El Niño excepcionalmente forte está adicionando calor em um clima já aquecido pela atividade humana”, afirmou Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.
O aquecimento global é impulsionado principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa, em especial as associadas à queima de combustíveis fósseis. Na COP31, a Turquia, que divide a presidência da conferência com a Austrália, propõe acelerar a eletrificação para que ela represente 35% da matriz energética mundial até 2035; atualmente, o patamar é de cerca de 20%.
Ambientalistas defendem que a proposta esteja vinculada ao uso de fontes renováveis. Segundo a Organização das Nações Unidas, seria necessário reduzir as emissões em cerca de 6% ao ano até 2035 para manter a possibilidade de voltar ao limite de 1,5°C até 2100.
Para entender
- Acordo de Paris
- Tratado internacional adotado em 2015 para combater a mudança do clima. Seu objetivo é limitar o aumento da temperatura média global, buscando mantê-lo bem abaixo de 2°C e perseguindo esforços para restringi-lo a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.