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Segunda-feira, 2 de novembro de 2026

ONU alerta que aquecimento acima de 1,5°C ameaça geleiras e gelo

Dois relatórios divulgados antes da COP31 apontam efeitos muitas vezes irreversíveis na criosfera; o aquecimento atual está em 1,37°C e pode superar a meta até 2030.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Geleira fragmentada junto ao mar no Ártico, sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Geleira fragmentada junto ao mar no Ártico, sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

Dois relatórios da ONU alertam que ultrapassar 1,5°C de aquecimento global pode causar danos significativos e muitas vezes irreversíveis a geleiras, ao gelo marinho e ao permafrost. O aquecimento atual está em 1,37°C, e a meta pode ser superada por volta de 2030. Os efeitos incluem elevação do nível do mar e riscos de inundação e escassez de água.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou nesta segunda-feira (2) que ultrapassar 1,5°C de aquecimento global pode causar danos irreversíveis a geleiras, ao gelo marinho e a áreas de solo congelado. A avaliação consta de dois relatórios divulgados uma semana antes da COP31, cúpula climática marcada para Antália, na Turquia.

O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu como meta limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais. O aquecimento atual está em 1,37°C, e a rede europeia Copernicus estima que o limite poderá ser superado de forma definitiva por volta de 2030.

As regiões com neve, gelo e solos permanentemente congelados compõem a criosfera, a parte do planeta em que a água está em estado sólido. Um dos relatórios afirma que, nessas áreas, os efeitos de um aquecimento acima de 1,5°C serão “significativos e muitas vezes irreversíveis”. Para a criosfera, a temperatura considerada segura seria de até 1°C.

O avanço do aquecimento acelera o derretimento de geleiras e do gelo marinho do Ártico, além de descongelar o permafrost — solo que permanece congelado por longos períodos. Esses processos contribuem para a elevação do nível do mar e aumentam riscos de inundação, escassez de água e prejuízos econômicos e ecológicos. O desaparecimento de 20% da massa glacial da Suíça já é apontado como um impacto observado.

James Kirkham, autor principal de um dos relatórios, defendeu medidas para manter a temperatura abaixo do limite e reduzir a perda de gelo em regiões polares e montanhosas. Segundo ele, cada fração adicional de grau e cada ano acima da meta ampliam os danos. A redução do uso de combustíveis fósseis está entre as ações políticas necessárias, afirmou.

Mesmo que o aquecimento diminua, a recuperação dos sistemas congelados seria lenta. Algumas geleiras poderiam se recompor parcialmente se a temperatura voltasse a ficar abaixo de 1,5°C — ou de 1°C —, e o gelo marinho ártico também poderia se beneficiar. Matthew England, oceanógrafo e climatologista da Universidade de Nova Gales do Sul, disse que a reconstituição pode levar décadas ou séculos, muito mais tempo que o período de declínio.

O segundo relatório examina um cenário de aquecimento de 2,8°C no próximo século. Mesmo com o cumprimento dos compromissos climáticos atuais, uma avaliação recente da ONU projeta alta de 2,6°C até 2100. No cenário de 2,8°C, o nível do mar poderia subir até cinco centímetros por ano até 2150, contra 0,45 centímetro atualmente.

Nesse mesmo cenário, o degelo do permafrost poderia liberar anualmente uma quantidade de dióxido de carbono equivalente às emissões atuais dos Estados Unidos. Kirkham afirmou que ultrapassar 1,5°C não torna inúteis as metas do Acordo de Paris, mas aumenta a urgência de agir para limitar os danos.

Fontes: Folha de S.Paulo, Zero Hora

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