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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Comissão Eleitoral de Israel pede apuração de suspeita de dinheiro do Catar

O Shin Bet deverá investigar se recursos estrangeiros influenciaram a campanha ou a votação; a polícia diz não haver provas da denúncia do Likud sobre envelopes com dinheiro e cédulas.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Urna eleitoral genérica e cédulas sem identificação em um local de votação, com uma câmara parlamentar ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Urna eleitoral genérica e cédulas sem identificação em um local de votação, com uma câmara parlamentar ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O presidente da Comissão Eleitoral Central de Israel pediu ao Shin Bet que investigue suspeitas de interferência estrangeira nas eleições parlamentares. O Catar nega ter financiado a participação de eleitores árabes, e os partidos árabes negam irregularidades. A polícia rejeitou a acusação específica do Likud sobre envelopes com dinheiro e cédulas do Raam.

O presidente da Comissão Eleitoral Central de Israel, o juiz Noam Sohlberg, pediu ao chefe do Shin Bet, David Zini, que investigue suspeitas de interferência estrangeira nas eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27). As denúncias incluem a possibilidade de que dinheiro do Catar tenha sido usado para ampliar a participação de eleitores árabes; o governo catariano nega a acusação.

Sohlberg afirmou, em carta enviada a Zini, que não pode confirmar a veracidade das suspeitas, mas considera necessário apurá-las por envolverem entidades estrangeiras. Ele disse que a investigação deve proteger a liberdade de voto e verificar se houve coação, influência indevida ou corrupção.

O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmou na quarta-feira (28) ter encaminhado às autoridades centenas de depoimentos e provas sobre supostas irregularidades. Entre as alegações, a sigla citou envelopes que, segundo sua versão, continham dinheiro em espécie e cédulas do partido árabe Raam.

A polícia de Israel rejeitou a acusação nesta quinta-feira (29). Uma fonte policial afirmou que não há provas que a sustentem e que o dia da votação teve poucos incidentes capazes de afetar a integridade do processo, inclusive em comparação com eleições anteriores.

Com 91% dos votos apurados, a coalizão liderada por Netanyahu tinha 53 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, e o bloco de oposição liderado pelo ex-general Gadi Eisenkot, 48. Os partidos que representam as comunidades árabes somavam 19 assentos, em uma votação recorde. São necessários 61 dos 120 lugares para formar uma maioria parlamentar.

A apuração ainda era provisória, e os números poderiam mudar. Em Israel, os eleitores votam em listas partidárias, e a distribuição de cadeiras no Parlamento depende do desempenho de cada lista. Como nenhum dos dois principais blocos alcançava sozinho a maioria, a formação do governo dependerá de negociações entre partidos.

Depois que a apuração terminar, o presidente Isaac Herzog deverá convocar um dos lados para tentar formar um governo. Se nenhum bloco reunir apoio suficiente, as possibilidades incluem atrair partidos do campo rival, estabelecer um governo de minoria ou convocar novas eleições. Um governo de minoria pode assumir com menos de 61 cadeiras se obtiver apoio suficiente na votação parlamentar inicial.

As suspeitas de financiamento estrangeiro envolvem também os partidos árabes, que negam irregularidades. A investigação solicitada pela autoridade eleitoral deverá apurar se houve recursos externos e se eles influenciaram a campanha ou a votação; até o momento, a polícia disse não ter encontrado provas para a alegação específica do Likud sobre envelopes com dinheiro e cédulas do Raam.

Para entender

Shin Bet
Serviço de segurança interna de Israel, responsável por atividades de inteligência e por combater ameaças à segurança do país. A agência foi instada a investigar as suspeitas de interferência estrangeira nas eleições.

Fontes: Gazeta do Povo, Folha de S.Paulo, Estadão

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