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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Eleição em Israel 2026 deixa disputa pelo governo em aberto

Pesquisas de boca de urna apontam o Likud como maior partido, mas a oposição pode reunir mais cadeiras; nenhum bloco teria maioria no Parlamento.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Funcionários eleitorais contam cédulas de papel em uma seção de votação. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Funcionários eleitorais contam cédulas de papel em uma seção de votação.
Resumo em 30 segundos

As pesquisas de boca de urna das eleições parlamentares em Israel indicam que o Likud, de Binyamin Netanyahu, deve conquistar mais cadeiras que o Yashar, de Gadi Eisenkot. Ainda assim, a oposição pode superar o bloco governista, e nenhum dos lados parece alcançar os 61 assentos necessários para formar governo. A apuração oficial e as negociações definirão os próximos passos.

O Likud, partido do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, aparece à frente nas pesquisas de boca de urna das eleições parlamentares realizadas nesta terça-feira em Israel, mas as projeções indicam que o bloco de oposição pode reunir mais cadeiras. Nenhum dos lados parece alcançar sozinho a maioria necessária para formar governo, deixando o resultado dependente de negociações entre partidos.

As estimativas divulgadas pelos canais de televisão variam. O Canal 12 projetou 24 assentos para o Likud e 22 para o Yashar, principal legenda oposicionista, liderada por Gadi Eisenkot; na composição dos blocos, indicou 52 cadeiras para a oposição, 50 para o grupo de Netanyahu e 18 para partidos árabes. O Canal 11 estimou 25 cadeiras para o Likud e 21 para o Yashar. Já projeções de outros canais apontaram 53 assentos para a aliança oposicionista, 50 para o bloco governista e 17 para partidos árabes.

As pesquisas de boca de urna são estimativas iniciais, não resultados oficiais. A contagem das cédulas é feita manualmente nas seções eleitorais e os dados são encaminhados a centros regionais para registro. A Comissão Eleitoral Central informou que os primeiros resultados oficiais seriam divulgados após o encerramento da votação, enquanto a apuração poderia levar dias.

O Parlamento israelense tem 120 cadeiras, e são necessários ao menos 61 deputados para obter maioria e formar um governo. Assim, o partido mais votado não necessariamente consegue indicar o próximo primeiro-ministro: o presidente Isaac Herzog deve encarregar um parlamentar de tentar reunir apoio suficiente para uma coalizão. Se as negociações fracassarem, novas eleições podem ser convocadas; até lá, Netanyahu permaneceria como primeiro-ministro interino.

A participação chegou a 74,3% dos eleitores aptos até as 20h no horário local, equivalente a 15h em Brasília, segundo a comissão eleitoral. Foi a maior taxa registrada até esse horário desde 1988. Longas filas foram vistas em seções eleitorais, e o voto não é obrigatório em Israel.

O Likud pediu que o horário de votação fosse estendido, mas a Comissão Eleitoral Central rejeitou a solicitação. Eisenkot e seu partido se opuseram à medida. O diretor-geral interino da comissão, Dean Livne, afirmou que pessoas suspeitas de tentar subornar eleitores haviam sido detidas antes da chegada de votantes aos locais. Ele classificou o caso como incomum.

A eleição é a primeira desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e as guerras que se seguiram em Gaza, no Líbano e no Irã. As falhas de segurança daquele dia e a condução dos conflitos estiveram entre os principais temas da campanha. Grupos oposicionistas prometeram uma investigação nacional sobre as falhas, iniciativa à qual Netanyahu se opõe.

Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, afirmou que pretende substituir Netanyahu com apoio de partidos de direita e de centro, além de setores da esquerda. Ele disse que a resposta militar de Israel em Gaza não alcançou o objetivo de retirar o Hamas do poder e reiterou que pretende desmantelar ou destruir a capacidade militar e administrativa do grupo no território em até 18 meses após a formação de um governo.

O líder do Yashar descartou anteriormente uma aliança com partidos árabes, embora possa depender do apoio deles em alguns cenários para sustentar um governo minoritário contrário a Netanyahu. Os resultados de boca de urna atribuem às listas árabes entre 17 e 18 cadeiras, mas não definem se elas apoiariam uma coalizão oposicionista.

Netanyahu pediu que seus apoiadores fossem votar e disse que a eleição era um momento decisivo. Também afirmou que eleitores árabes tentavam “roubar a eleição”, em referência a relatos de detenções por suspeita de suborno. Seus adversários criticaram a fala e disseram que o pedido de extensão do horário poderia alimentar questionamentos sobre a legitimidade do pleito.

A campanha ocorreu em meio à divisão sobre as políticas do governo de direita e ao debate sobre segurança e responsabilização pelo ataque de 2023. Netanyahu se apresenta como o líder mais preparado para enfrentar os inimigos de Israel; Eisenkot, por sua vez, busca reunir partidos de diferentes campos para encerrar seu governo. As negociações após a apuração devem definir se algum dos blocos conseguirá formar maioria ou se o país voltará às urnas.

Para entender

Knesset
É o Parlamento de Israel, formado por 120 integrantes eleitos por representação proporcional. Como nenhum partido costuma governar sozinho, a formação de um governo depende de acordos entre diferentes legendas para reunir apoio suficiente.

Fontes: Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo

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