Colisão entre trens deixa ao menos 64 mortos em Toledo
O acidente ferroviário na Espanha ocorreu entre Los Yébenes e Urda; a causa da colisão ainda é investigada, e relatos sobre falhas não foram confirmados.
Resumo em 30 segundos
Dois trens de alta velocidade colidiram na província de Toledo, na Espanha. Ao menos 64 pessoas morreram e 80 ficaram feridas, segundo o balanço informado durante o atendimento. A investigação deverá esclarecer por que a composição da Renfe avançou enquanto o trem da Iryo estava parado. A circulação ferroviária na região foi interrompida.
A colisão entre dois trens de alta velocidade na província de Toledo, no centro da Espanha, deixou ao menos 64 mortos e dezenas de feridos nesta quarta-feira. O acidente ocorreu às 8h54 no horário local (4h54 em Brasília), entre as estações de Los Yébenes e Urda, enquanto equipes de emergência ainda trabalhavam no resgate.
Uma composição da Renfe, empresa estatal, seguia de Madri para Sevilha com 397 passageiros quando atingiu a traseira de um trem da Iryo, companhia privada, que estava parado nos trilhos. As informações sobre a lotação da Iryo divergem: a matéria informa 147 passageiros, enquanto a porta-voz do governo regional Esther Padilla afirmou que eram 146, incluindo um bebê; outra contagem citada foi de 148.
O impacto fez vagões descarrilarem e tombarem em uma ribanceira. O balanço de feridos também mudou durante o atendimento: chegou a 179 em relatos iniciais, mas o governador de Castilla-La Mancha, Emiliano García Page, informou depois que eram 80. Desse total, 55 pessoas precisaram de atendimento hospitalar.
Relatos de passageiros indicam que houve paradas antes da batida. Iñaki, de 60 anos, que viajava no segundo vagão da Iryo, disse que o trem estava parado quando sentiu um forte impacto. Ele contou que foi lançado ao chão e que, depois que a composição parou, percebeu que estava de cabeça para baixo.
Um passageiro da Renfe relatou que foi arremessado dentro do trem e encontrou pessoas feridas ao redor. Outros sobreviventes disseram que a composição havia interrompido a marcha por alguns minutos, após passageiros serem avisados de problemas nos trilhos, e voltou a se mover pouco antes da colisão. Os relatos não esclarecem, por si só, a causa do acidente.
Informações preliminares apontam para uma possível falha no sistema de sinalização e para a hipótese de erro operacional, mas a investigação ainda precisa estabelecer a sequência dos acontecimentos. O sistema LZB, usado na linha entre Madri e Sevilha, permite a comunicação entre os trens e as equipes de infraestrutura. Ele está sendo substituído pelo ERTMS, sistema mais moderno; não foi confirmado se uma falha nesse mecanismo provocou a colisão.
A apuração também deverá esclarecer por que a Renfe recebeu autorização para avançar enquanto a Iryo permanecia parada na via. De acordo com informações preliminares, uma falha de segurança teria interrompido a circulação de vários trens e levado à retomada do tráfego após alguns minutos. A hipótese de que um operador autorizou a passagem da Renfe ainda não foi confirmada oficialmente.
As autoridades ativaram o Plano Territorial de Emergência de Castilla-La Mancha para a província de Toledo. Bombeiros, três helicópteros e duas unidades móveis de terapia intensiva foram mobilizados, e a Unidade Militar de Emergências foi enviada para reforçar os trabalhos. Um pavilhão municipal também foi preparado para acolher passageiros.
A circulação ferroviária entre Madri, Ciudad Real e a Andaluzia foi interrompida, segundo a Renfe. Hospitais da região foram alertados para receber feridos, enquanto os serviços de emergência mantinham o atendimento no local.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou seus compromissos de governo e de campanha, às vésperas das eleições previstas para 29 de novembro. Ele lamentou o acidente e disse estar em contato com autoridades regionais e nacionais. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, declarou estar preocupado, e o rei Felipe VI transmitiu condolências às famílias atingidas.
A tragédia se soma a uma sequência de acidentes ferroviários graves na Espanha. Em 2013, o descarrilamento de um trem perto de Santiago de Compostela, na Galícia, matou 80 pessoas e deixou mais de 100 feridas. Em 2006, um acidente no metrô de Valência causou 43 mortes; em 2003, uma colisão entre um trem de passageiros e uma composição de carga em Chinchilla matou 19 pessoas.
Para entender
- LZB e ERTMS
- LZB e ERTMS são sistemas de sinalização e controle ferroviário que apoiam a comunicação entre trens e a infraestrutura da linha. O ERTMS é um padrão europeu desenvolvido para harmonizar e modernizar o controle da circulação ferroviária.