Dólar dispara após reeleição de Lula e tem maior alta desde 1999
A moeda fechou a R$ 5,4027, enquanto o Ibovespa caiu 13,88% e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020.
Resumo em 30 segundos
Após a reeleição de Lula, o dólar à vista subiu 8,21%, para R$ 5,4027, na maior alta diária desde janeiro de 1999. A Bolsa caiu 13,88%, e a B3 interrompeu temporariamente as negociações. Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa eleita por suposto abuso de poder econômico.
O dólar à vista fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,4027, nesta segunda-feira, após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência. Foi a maior valorização diária da moeda americana frente ao real desde janeiro de 1999, em uma sessão marcada pela mudança das expectativas dos investidores sobre a política econômica do próximo governo.
A cotação chegou a R$ 5,6048 durante a manhã. No mercado futuro, contratos de dólar atingiram dois limites de oscilação que interrompem temporariamente as negociações: primeiro, uma alta de 8,4%; depois, de 12%. Esses mecanismos, conhecidos como travas, buscam conter movimentos abruptos e permitir que o mercado absorva as oscilações.
O movimento refletiu a frustração de investidores que esperavam a vitória de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa, e apostavam em um ajuste fiscal sob um eventual governo do senador. Com a vitória de Lula, parte do mercado passou a considerar maior o risco relacionado à dívida pública, elevando a procura por dólares e a percepção de risco dos ativos brasileiros.
Ordens automáticas de venda para limitar perdas, chamadas de stop-loss, foram acionadas durante o pregão. Exportadores com recursos no exterior aproveitaram a valorização para trazer capital ao país, segundo relatos do mercado. O euro comercial também subiu: avançou 8,04%, para R$ 6,0386.
Na Bolsa, o índice Bovespa caiu 13,88%, para 176.608 pontos, e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde 2020. O mecanismo suspende temporariamente as negociações quando há quedas acentuadas, com o objetivo de dar um intervalo para que investidores avaliem o movimento. A forte desvalorização reverteu parte dos ganhos registrados após o primeiro turno, quando prevalecia a expectativa de vitória de Flávio.
Em outra reação ao resultado, Flávio afirmou que pretende protocolar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) para apurar suposto abuso de poder econômico pela chapa de Lula e pedir a cassação dos eleitos. Em vídeo publicado nas redes sociais nesta segunda-feira, o senador não repetiu a promessa anterior de pedir a anulação da votação, feita após a confirmação da vitória do adversário.
A disputa sobre o horário de votação também foi citada por Flávio. No domingo, ele contestou a prorrogação do horário em alguns locais, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após denúncias de dificuldades de transporte para eleitores. Foram registrados 35 mil votos entre 17h, horário oficial de encerramento, e 19h. Lula venceu por uma diferença de 4,4 milhões de votos.
A Aije é uma ação da Justiça Eleitoral que pode investigar abuso de poder econômico ou político durante uma campanha. Flávio afirmou que recorrerá à Justiça Eleitoral para questionar a chapa; a medida anunciada não altera, por si só, o resultado proclamado da eleição. A trajetória dos ativos nos próximos dias dependerá, entre outros fatores, das sinalizações do governo eleito sobre as contas públicas.