Colisão de trens na Espanha deixa 46 mortos e 179 feridos
O acidente perto de Urda interrompeu a linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia; as causas da colisão ainda não foram esclarecidas.
Resumo em 30 segundos
Dois trens operados pela Iryo e pela Renfe colidiram perto de Urda, na região espanhola de Castilla-La Mancha. O acidente deixou 46 mortos e 179 feridos. Equipes de emergência foram mobilizadas, e a circulação ferroviária entre Madri e a Andaluzia foi suspensa, sem previsão de retomada.
A colisão entre dois trens de alta velocidade deixou 46 mortos e 179 feridos nesta quarta-feira, perto da estação de Urda, na região espanhola de Castilla-La Mancha, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Familiares foram à área do acidente e a um pavilhão municipal para procurar passageiros e receber notícias sobre os sobreviventes. As causas ainda não foram esclarecidas.
Os trens envolvidos eram operados pelas companhias Iryo e Renfe. A batida ocorreu pouco antes das 9h, no horário local, e vagões ficaram parcialmente descarrilados. Bombeiros, equipes de emergência, três helicópteros e duas unidades móveis de terapia intensiva foram mobilizados para atender os passageiros.
No pavilhão de Urda, sobreviventes se reencontraram com familiares. Laura, que buscava o primo, disse que conseguiu falar brevemente com ele: o homem viajava em um trem com destino a Sevilha e estava na cabine atingida. Segundo ela, ele afirmou não saber como havia sobrevivido.
Juan, de 65 anos, recebeu atendimento por traumatismo craniano após viajar no sexto vagão de uma composição da Renfe. Ele relatou que sentiu um impacto forte e ouviu gritos, enquanto passageiros tentavam sair dos vagões e ajudar uns aos outros. “Sua vida passa diante dos seus olhos em um segundo, sem que você perceba”, disse, enquanto aguardava a chegada dos familiares.
A Guarda Civil instalou postos em Madri, Sevilha, Córdoba e Toledo para receber familiares de primeiro grau e facilitar a identificação das vítimas. Voluntários também distribuíram água aos feridos perto do local. O balanço de mortos aumentou durante a manhã: as primeiras informações apontavam dez mortes, antes de o número chegar a 46.
A empresa pública Adif, responsável pela infraestrutura ferroviária espanhola, interrompeu a circulação na linha de alta velocidade entre Madri e a Andaluzia. A Renfe também suspendeu o tráfego entre Madri, Ciudad Real e a região da Andaluzia. Não havia previsão para a retomada dos serviços.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez cancelou compromissos e suspendeu as atividades de campanha de seu Partido Socialista (PSOE) previstas para o dia. Em uma publicação, declarou estar “consternado” e afirmou que mantinha contato com o ministro dos Transportes, Óscar Puente, e com o presidente de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page.
O acidente ocorre menos de um ano após uma colisão em Adamuz, na Andaluzia, que também deixou 46 mortos. A tragédia anterior gerou debates sobre a manutenção e a segurança da rede ferroviária espanhola. A rede de alta velocidade do país tem cerca de 4 mil quilômetros de linhas.