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Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Rússia mantém laços com a Sérvia após vitória de estudantes

O movimento Lista dos Estudantes pode conquistar 140 das 250 cadeiras do Parlamento, após vencer as eleições antecipadas e encerrar 14 anos de governo do SNS.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Parlamento da Sérvia em Belgrado com bandeiras sérvia e russa ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Parlamento da Sérvia em Belgrado com bandeiras sérvia e russa ao fundo.
Resumo em 30 segundos

A Rússia afirmou que pretende manter as relações com a Sérvia após a vitória eleitoral da Lista dos Estudantes, que pode obter maioria no Parlamento. O resultado encerra 14 anos de governo do Partido Progressista Sérvio e ocorre após quase dois anos de protestos liderados por estudantes. O movimento diz que manterá a neutralidade militar e os laços com Moscou.

A Rússia afirmou nesta segunda-feira (26) que pretende manter as relações com a Sérvia, após a derrota eleitoral do presidente Aleksandar Vučić, aliado de Moscou. O movimento Lista dos Estudantes venceu as eleições legislativas antecipadas realizadas no domingo (25), e os resultados preliminares apontam que poderá obter maioria no Parlamento, em Belgrado.

“Pretendemos continuar a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para fomentar o desenvolvimento das nossas relações com Belgrado”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov. Ele disse esperar que as novas forças políticas também trabalhem para ampliar os laços bilaterais e afirmou que a cooperação com Moscou atende aos interesses sérvios.

De acordo com uma pesquisa da ONG Cesid baseada em uma amostra que representa 96% dos votos, a Lista dos Estudantes recebeu 52,9%, contra 38,8% do Partido Progressista Sérvio (SNS), que governava o país. Os dados preliminares indicam que o movimento pode conquistar 140 das 250 cadeiras parlamentares. Vučić reconheceu a derrota.

A vitória encerra 14 anos de governo do SNS e ocorre após quase dois anos de protestos liderados por estudantes. As manifestações começaram depois do desabamento de uma marquise na estação ferroviária de Novi Sad, em 2024, que matou 16 pessoas. Os manifestantes responsabilizaram a corrupção pela tragédia.

A mudança de governo gera incerteza sobre o peso de Moscou nos Bálcãs, mas a Lista dos Estudantes declarou que não pretende alterar radicalmente a política externa. Jovo Bakic, representante do grupo e professor universitário, disse que a Sérvia continuará a respeitar a Rússia como potência e parceira histórica. O movimento também prometeu manter a neutralidade militar, não buscar adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e não aplicar sanções russas.

A Sérvia é candidata à União Europeia (UE), mas não aderiu às sanções do bloco contra Moscou pela guerra na Ucrânia. O país compra grandes volumes de gás russo e, durante o governo de Vučić, manteve relações econômicas, políticas e militares com a Rússia, ao mesmo tempo que buscava aproximação com os europeus. Uma eventual adesão à UE pode aumentar a pressão para que Belgrado alinhe sua política externa à do bloco.

O Parlamento foi dissolvido em setembro, quando Vučić convocou eleições antecipadas, uma das principais reivindicações dos manifestantes. Ele renunciou à Presidência dias depois para disputar o cargo de primeiro-ministro. A derrota ocorre seis meses após a saída do poder do húngaro Viktor Orbán, outro aliado de Moscou na Europa. Peskov também elogiou a contribuição de Vučić para as relações bilaterais e disse esperar que ele continue a contribuir mesmo na oposição.

Fontes: Estadão, Folha de S.Paulo

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