Ibovespa cai 14,7% após vitória de Lula e surpreende mercado
Às 16h, o índice estava em 175,5 mil pontos; se mantivesse a perda até o fechamento, teria uma das dez maiores quedas desde 1986.
Resumo em 30 segundos
O Ibovespa recuou 14,7% às 16h desta segunda-feira, no primeiro pregão após Lula vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno. A queda foi associada à mudança nas expectativas dos investidores sobre a política fiscal do governo. Se mantido até o fechamento, o resultado entraria entre as dez maiores baixas diárias do índice.
O Ibovespa caiu 14,7% nesta segunda-feira (26), para 175,5 mil pontos, às 16h, no primeiro pregão após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Se a perda se mantivesse até o fechamento, o índice teria uma das dez maiores quedas diárias desde o início de sua série histórica, em 1986, e uma das cinco mais intensas desde a implementação do Plano Real.
A desvalorização ocorreu após o resultado contrariar as expectativas dos investidores, que apostavam na vitória de Flávio Bolsonaro e nas medidas de ajuste fiscal prometidas por ele durante a campanha. Com a reeleição de Lula, a avaliação no mercado foi de que haveria menor possibilidade de cortes de gastos.
Em relatório distribuído nesta segunda-feira, o Goldman Sachs afirmou que esperava medidas moderadas para conter o crescimento das despesas primárias e novos aumentos de impostos. O banco também avaliou que o governo provavelmente manteria a atuação do setor público e das empresas estatais como motores do crescimento e do investimento, e considerou improváveis reformas estruturais significativas.
O recuo ocorre em um cenário em que as maiores perdas históricas do Ibovespa foram, em geral, associadas a crises internacionais. Um levantamento da Elos Ayta identificou que nove das dez maiores quedas diárias do índice tiveram relação com acontecimentos externos, entre eles as crises asiática e financeira global e a pandemia de Covid-19.
A maior queda da lista ocorreu em 10 de setembro de 1998, durante a crise financeira russa e a fuga de capitais de mercados emergentes. A segunda foi registrada em 27 de outubro de 1997, quando o índice recuou 14,98% em meio à crise asiática. Na crise de 2008, agravada pela quebra do banco Lehman Brothers, houve perdas de 11,39% em 15 de outubro e de 10,18% no dia 22.
A pandemia concentrou quatro das dez maiores baixas, todas em março de 2020 e dentro de um intervalo de oito pregões. Entre os episódios da lista, apenas um esteve diretamente ligado a um fato político doméstico: em 5 de setembro de 1994, o Ibovespa caiu 10,50% após declarações do então ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. O episódio ficou conhecido como escândalo da parabólica e gerou incertezas sobre a continuidade do Plano Real.
A comparação histórica mostra que quedas expressivas do índice podem ocorrer em períodos de turbulência internacional. No pregão desta segunda-feira, porém, a reação foi associada principalmente à mudança de expectativa provocada pelo resultado eleitoral e à leitura dos investidores sobre a política fiscal do novo governo.
Para entender
- Ibovespa
- Principal índice da bolsa de valores brasileira, reúne ações de empresas negociadas na B3. Seu desempenho é calculado a partir de uma carteira teórica de ativos e serve como referência para acompanhar, em conjunto, as oscilações do mercado acionário no país.