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Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Cláusula de desempenho mantém partidos abaixo do limite em 2026

Federações, uma decisão do TSE e estratégias próprias garantem a siglas acesso a recursos e propaganda ou a opção de seguir sem esses benefícios.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Plenário legislativo com parlamentares conversando, em imagem que representa negociações entre partidos. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Plenário legislativo com parlamentares conversando, em imagem que representa negociações entre partidos.
Resumo em 30 segundos

A cláusula de desempenho não extingue partidos que ficam abaixo dos critérios, mas restringe o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral. Após as eleições de 2026, siglas como PSOL, PDT, PRD, Solidariedade, Rede, Avante e Missão adotaram caminhos diferentes para lidar com as exigências, incluindo federações, decisões judiciais e a opção de abrir mão dos benefícios.

A cláusula de desempenho não deve extinguir partidos após as eleições de 2026: seis siglas que inicialmente ficaram abaixo dos critérios adotaram estratégias para manter acesso a recursos e propaganda ou decidiram seguir sem esses benefícios. A regra, criada para reduzir a fragmentação partidária, exige que as legendas alcancem uma votação mínima ou elejam determinado número de deputados federais para receber o Fundo Partidário e ter espaço no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.

Também chamada de cláusula de barreira, a regra não proíbe a existência de partidos que fiquem abaixo do limite. Ela restringe o acesso a recursos públicos e à propaganda eleitoral, importantes para financiar atividades e divulgar candidaturas. Deputados eleitos por siglas que não atingem os critérios podem deixar o partido sem perder o mandato por infidelidade partidária.

Os requisitos aumentam gradualmente a cada eleição até 2030. Nesse ano, os partidos terão de obter pelo menos 3% dos votos válidos para deputado federal, distribuídos por nove unidades da Federação, com ao menos 2% em cada uma, ou eleger 15 deputados federais em pelo menos nove estados. Nas eleições de 2026, PDT, PRD, Solidariedade, PSOL, Rede Sustentabilidade e Avante inicialmente não alcançaram os critérios exigidos.

A formação de federações partidárias é uma das alternativas usadas para somar forças. Diferentemente de uma coligação, a federação reúne partidos que precisam atuar em conjunto por pelo menos duas eleições: uma nacional e outra municipal. A saída antes do prazo pode levar à perda de recursos do Fundo Partidário e impedir a entrada em outra federação.

Solidariedade e PRD, que já formam uma federação, pediram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o Avante também seja incluído. A soma dos votos das três siglas permitiria que o grupo superasse a cláusula. O pedido foi apresentado no dia 16, e a tese ainda depende de decisão do tribunal. Os partidos sustentam que os votos devem ser aferidos no início da legislatura, em 1º de fevereiro. Na quinta-feira (29), a Procuradoria-Geral Eleitoral concordou com esse argumento.

O PSOL, por sua vez, conseguiu validar o percentual obtido no Espírito Santo. O partido superou 2,5% dos votos para a Câmara dos Deputados em todo o país e alcançou o mínimo de 1,5% em oito estados. No Espírito Santo, ficou em 1,4912%. Por unanimidade, o TSE decidiu arredondar o índice para 1,5%, conforme as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), garantindo à sigla acesso ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral.

A decisão também afasta, por ora, a necessidade de deputados do PSOL buscarem outra legenda para evitar restrições. Erika Hilton e Natália Boulos, eleitas por São Paulo, negociavam uma filiação ao PT depois de perderem internamente a disputa para formar uma federação entre os dois partidos para a eleição de 2026.

O PDT ainda discute seu caminho. Na semana passada, o diretório deu poderes à direção nacional para negociar uma federação ou fusão, e a preferência é por uma federação com o PSB. Já o Missão, partido recém-criado que elegeu Kim Kataguiri por São Paulo, decidiu permanecer sem propaganda na TV e sem Fundo Partidário até a próxima eleição. A Rede também está em federação, com o PSOL.

A cláusula já levou à incorporação ou fusão de seis legendas que não atingiram os critérios em eleições anteriores: PTB, PSC, PHS, PPL, PRP e Pros. O movimento de redução, porém, perdeu força com a criação das federações, em 2021, e decisões judiciais recentes. Em 2022, por exemplo, PC do B e PV formaram uma federação com o PT; Cidadania e PSDB também se uniram nesse modelo.

Na prática, partidos de uma mesma federação mantêm estruturas próprias e podem tomar decisões distintas no trabalho legislativo, embora tenham de atuar juntos nas eleições. A advogada Ezikelly Barros, que representou o PRD no Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há assembleias legislativas e câmaras municipais onde integrantes de uma federação atuam em blocos parlamentares diferentes. Segundo ela, o STF considerou inconstitucional essa prática, mas a Justiça Eleitoral ainda não regulamentou como a decisão deve ser comunicada ao Legislativo.

A atual cláusula foi aprovada em 2017. Uma tentativa anterior, aprovada em 1995 para valer a partir da eleição de 2006, previa limite de 5% dos votos para deputado federal e restringia também a estrutura de gabinetes e lideranças partidárias no Congresso. O Judiciário derrubou aquela regra, por entender que ela poderia provocar o “massacre das minorias”.

Para entender

Cláusula de desempenho
Regra que condiciona o acesso dos partidos ao Fundo Partidário e à propaganda eleitoral gratuita ao cumprimento de critérios de votação ou de eleição de deputados federais. Também é conhecida como cláusula de barreira e não impede que uma legenda abaixo do limite continue existindo.
Federação partidária
Aliança formal em que partidos mantêm suas identidades, mas precisam atuar juntos nas eleições por um período que abrange uma eleição nacional e uma municipal. A regra busca dar estabilidade ao acordo, e a saída antecipada pode trazer restrições partidárias.

Fontes: Folha de S.Paulo

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