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Terça-feira, 27 de outubro de 2026

IPCC fica sem orçamento aprovado após impasse sobre relatórios climáticos

A suspensão da reunião na Etiópia deixou em aberto o financiamento, enquanto países divergem sobre publicar três avaliações antes da cúpula climática de 2028.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Delegados discutem documentos em uma reunião internacional sobre ciência climática. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Delegados discutem documentos em uma reunião internacional sobre ciência climática.
Resumo em 30 segundos

O IPCC não aprovou seu orçamento após uma reunião na Etiópia ser suspensa em meio à disputa sobre o calendário de três relatórios climáticos. Alguns países defendem a publicação em 2029; outros querem os documentos antes da cúpula da ONU de 2028. A falta de recursos pode atrasar o trabalho dos especialistas.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), principal órgão científico da ONU sobre aquecimento global, ficou sem orçamento aprovado após uma reunião na Etiópia ser suspensa no dia 16. O impasse está ligado à divergência entre países sobre quando divulgar três relatórios científicos, e pode atrasar o trabalho de centenas de especialistas internacionais.

Os documentos tratam das causas e da dimensão das mudanças climáticas, das formas de adaptação e das opções para evitar que o aquecimento se agrave. A disputa sobre o calendário se arrasta há três anos. Países como Arábia Saudita, Índia e China defendem que os relatórios sejam publicados em 2029, enquanto países europeus, pequenos Estados insulares vulneráveis e outras nações em desenvolvimento querem que estejam prontos antes da cúpula climática da ONU de 2028.

A cúpula de 2028 deverá incluir uma avaliação dos esforços dos países para enfrentar a crise climática. Se os relatórios não forem divulgados a tempo, informações científicas importantes podem não estar disponíveis para essa análise. O IPCC reúne especialistas para avaliar pesquisas sobre o clima e produzir sínteses que orientam governos e negociações internacionais.

Os países que apoiam o adiamento afirmam que é preciso dar mais tempo às nações em desenvolvimento para participar da elaboração dos documentos. Também argumentam que uma publicação antecipada poderia prejudicar a qualidade das avaliações e deixar pouco tempo para que esses países analisem milhares de páginas.

Bart van den Hurk, copresidente do grupo de trabalho do IPCC dedicado aos impactos do aquecimento e à adaptação, afirmou que a falta de acordo orçamentário já afeta a execução do plano de trabalho. Havia previsão de reunir os principais autores dos relatórios no início do próximo ano, mas ainda não estava claro se os encontros ocorreriam.

Bart Verheggen, consultor climático do instituto meteorológico KNMI e representante dos Países Baixos no processo do IPCC, alertou que a falta de recursos pode levar a um atraso concreto nas publicações. Para ele, isso corresponderia ao objetivo defendido por alguns países que pedem mais tempo.

A ativista chadiana Hindou Oumarou Ibrahim, presidente do Planetary Guardians, grupo de cientistas e defensores do meio ambiente, disse que o atraso prejudica a participação de pesquisadores de países em desenvolvimento. Ela afirmou que essas contribuições são essenciais para que as avaliações reflitam as realidades e prioridades nacionais. “As mudanças climáticas não vão esperar a aprovação de um orçamento”, declarou.

John Henry Melo Pineda, assessor do Panamá para negociações multilaterais sobre o clima, descreveu a situação como um “limbo sem precedentes”. Em uma publicação no LinkedIn, afirmou que delegações de um bloco minoritário ameaçaram repetidamente rejeitar o orçamento caso suas condições sobre o calendário não fossem aceitas.

O IPCC informou que, com a suspensão da reunião, os itens da pauta continuam em aberto e em discussão. O órgão afirmou que não comentaria assuntos ainda em andamento.

Fontes: Folha de S.Paulo

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