China convida Katie Zacharia a visitar o país após crítica
A secretária de imprensa de Trump disse que os chineses não tinham “banheiros adequados”; a fala provocou resposta da diplomacia de Pequim.
Resumo em 30 segundos
A China convidou Katie Zacharia, secretária de imprensa da Casa Branca, a visitar o país depois que ela afirmou que os chineses não tinham “banheiros adequados”. A declaração foi feita em entrevista na quinta-feira. Zacharia também enfrenta questionamentos sobre suas credenciais jurídicas e ainda não teria sido aprovada no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia.
A China convidou nesta sexta-feira (16) Katie Zacharia, nova secretária de imprensa da Casa Branca, a visitar o país após ela dizer que os chineses não tinham “banheiros adequados”. A fala foi feita em uma entrevista na quinta-feira (15), na qual a porta-voz questionou a ideia de que a China pudesse superar os Estados Unidos como potência mundial.
“ Nós a convidamos a visitar a China com mais frequência, quando tiver oportunidade”, disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, durante uma entrevista coletiva. Zacharia, de 41 anos, viveu no país asiático na década de 2010.
Ao conversar com o influenciador de direita Jack Posobiec, ela relembrou a percepção, em 2016, de que a China estava prestes a ultrapassar os Estados Unidos. Zacharia disse que havia acabado de voltar do país e que, diante dessa expectativa, pensou: “Como é que a China é o próximo país no horizonte? Eles nem têm banheiros adequados.”
A declaração ocorre em meio à disputa por influência entre Washington e Pequim, que envolve comércio, tecnologia e Taiwan. Em setembro, durante uma cúpula em Washington, o presidente Donald Trump e o líder chinês, Xi Jinping, conversaram sobre inteligência artificial, comércio e a guerra no Irã. Trump descreveu a relação entre os dois como de “grande amizade”, enquanto os governos avançaram em acordos para reduzir tarifas e mantiveram uma trégua comercial.
Zacharia assumiu o cargo há menos de uma semana e realizou na quinta-feira sua primeira coletiva na Casa Branca. O encontro durou cerca de 15 minutos, e ela respondeu a perguntas de três jornalistas.
A nova secretária substituiu Karoline Leavitt, que deixou a função em agosto para passar mais tempo com a família após o nascimento do segundo filho. Leavitt era uma das principais figuras públicas do início do segundo mandato de Trump e adotava uma estratégia de comunicação combativa com a imprensa tradicional.
Além da repercussão da fala sobre a China, Zacharia enfrenta questionamentos sobre suas credenciais jurídicas. Formada em Direito pela Universidade Pepperdine em 2011, ela se apresenta como advogada e assessora jurídica de uma organização não governamental conservadora da Califórnia. Também afirmou ter trabalhado em um escritório de advocacia em Pequim, mas não há registro de que tenha obtido licença para exercer a profissão nos Estados Unidos.
Na entrevista de quinta-feira, Zacharia disse que chegou a se inscrever para o exame da Ordem dos Advogados da Califórnia, mas estava “distraída e sobrecarregada” com os preparativos para se mudar para a China com o marido. Segundo ela, depois de voltar aos Estados Unidos, não refez a prova por causa do nascimento do primeiro filho. A aprovação no exame é requisito para advogar no estado; na China, estrangeiros não podem exercer a advocacia local, embora possam prestar consultoria sobre as leis de seus países de origem.
A escolha de Zacharia ocorre poucas semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos. Trump enfrenta, ao mesmo tempo, disputas com a China, a guerra no Irã e outros temas de política externa.