Visa avança para disputar o mercado doméstico de cartões da China
A autorização permite preparar a operação por até um ano, mas a empresa ainda terá de pedir uma nova licença antes de processar pagamentos no país.
Resumo em 30 segundos
A Visa recebeu autorização para preparar uma operação de compensação de cartões bancários na China. A empresa terá até um ano para concluir os preparativos e, depois, poderá solicitar licença para iniciar as operações. A aprovação não permite ainda processar pagamentos domésticos. Mastercard e American Express já atuam nesse segmento por meio de joint ventures.
A Visa recebeu autorização para iniciar os preparativos para criar uma operação de compensação de cartões bancários na China, informou a empresa nesta terça-feira, 13. A aprovação abre caminho para que a companhia americana tente disputar o mercado doméstico de pagamentos do país, mas ainda não permite o início das operações.
Segundo a agência oficial chinesa Xinhua, a Visa precisa concluir os trabalhos preparatórios em até um ano. Depois dessa etapa, poderá pedir autorização para começar a compensar transações com cartões bancários dentro da China. A empresa não anunciou quando pretende apresentar esse pedido.
A compensação é o processo que organiza e calcula os valores devidos entre instituições financeiras após pagamentos com cartão, antes da liquidação final das transações. Ter uma operação doméstica permitiria à Visa participar do processamento de pagamentos realizados no mercado chinês, em vez de atuar apenas em transações internacionais.
A companhia afirmou que a aprovação representa um avanço em seu compromisso de longo prazo com a China. Em comunicado, o presidente-executivo da Visa, Ryan McInerney, agradeceu aos líderes dos dois países pelo papel na busca de uma relação construtiva e estável entre as maiores economias do mundo.
A Mastercard e a American Express já começaram a operar na compensação doméstica chinesa por meio de joint ventures, parcerias empresariais entre companhias. A aprovação à Visa ocorre em meio ao interesse dos Estados Unidos em ampliar o acesso de empresas americanas ao setor de serviços financeiros da China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter tratado do acesso da Visa durante uma visita a Pequim em maio. McInerney também esteve entre os convidados de um jantar na Casa Branca com Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, durante a visita de Xi a Washington no mês passado.
George Chen, sócio e presidente da área de negócios digitais do The Asia Group, avaliou que a autorização pode ser interpretada como um gesto de boa vontade de Pequim antes de uma reunião prevista entre Xi e Trump em novembro, em Shenzhen. O encontro seria o terceiro presencial dos dois líderes neste ano.
Chen afirmou que o momento da decisão é significativo e que ela sugere uma intenção chinesa de mostrar avanços concretos a empresas americanas antes da próxima visita de Trump ao país. A aprovação, porém, é apenas uma etapa regulatória: a Visa ainda precisa cumprir as exigências preparatórias e obter uma autorização posterior para operar.
A entrada da Visa ampliaria a presença de empresas estrangeiras no sistema chinês de pagamentos, um mercado de grande dimensão. Para consumidores e comerciantes, a compensação doméstica integra a infraestrutura que permite processar compras com cartão; a autorização não altera, por si só, as regras de visto para brasileiros que viajam à China.
Para entender
- Compensação de cartões
- É a etapa que organiza e calcula os valores devidos entre instituições financeiras após uma compra com cartão, antes da liquidação final. Uma operação doméstica permite que a empresa participe do processamento de pagamentos feitos no mercado do país.
- Joint venture
- É uma parceria empresarial em que duas ou mais companhias colaboram em um empreendimento. Mastercard e American Express já começaram a compensar transações domésticas na China por meio desse tipo de parceria.