Katie Zacharia critica banheiros na China após viver no país
A porta-voz da Casa Branca fez a declaração em entrevista sobre a influência da vitória de Donald Trump em 2016 em sua visão dos Estados Unidos.
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Katie Zacharia afirmou que a China não tinha “banheiros adequados” quando ela viveu no país, após se formar em Direito em 2011. A fala foi feita em entrevista ao comentarista Jack Posobiec. A porta-voz também reconheceu que não passou no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia, e uma organização pediu que a entidade investigue suas credenciais profissionais.
A nova porta-voz da Casa Branca, Katie Zacharia, afirmou nesta quinta-feira que a China não tinha “banheiros adequados” quando viveu no país. A declaração foi feita em entrevista ao comentarista conservador Jack Posobiec, enquanto ela explicava como a vitória de Donald Trump em 2016 influenciou sua visão sobre os Estados Unidos.
“Lembro-me disso muito claramente, porque tinha acabado de voltar da China, e pensei: ‘Como a China pode ser o próximo país a despontar no horizonte? Eles nem sequer têm banheiros adequados’”, disse Zacharia. Ela se mudou para a China após se formar em Direito pela Universidade Pepperdine, na Califórnia, em 2011, e trabalhou no escritório Zhong Lun.
A fala contrasta com a aproximação entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping. Os dois líderes se receberam em visitas neste ano e se comprometeram a realizar outros dois encontros antes do fim do ano. Na visita mais recente de Xi a Washington, Trump o recebeu no aeroporto, ofereceu um jantar de Estado e mostrou o helicóptero presidencial.
Zacharia também enfrenta questionamentos sobre sua qualificação para se apresentar como advogada. Ao anunciar a nomeação, Trump usou esse título. Nesta quinta-feira, ela reconheceu que não passou no exame da Ordem dos Advogados da Califórnia, necessário para obter licença para exercer a advocacia no estado.
Na entrevista a Posobiec, Zacharia disse que consultou “muitas pessoas da área”, que, segundo ela, afirmaram que “você pode se chamar de advogada”. Ela acrescentou: “Tive muito cuidado com a maneira como fiz isso e nunca me apresentei como alguém habilitado a exercer a advocacia”.
A distinção entre diploma de Direito e licença profissional é relevante nos Estados Unidos: concluir o curso não autoriza, por si só, o exercício da advocacia. A palavra inglesa lawyer pode ser usada para quem tem formação jurídica, enquanto attorney costuma designar alguém habilitado a atuar como advogado. Zacharia afirmou que trabalhou com direito de transações internacionais durante sua passagem pela China, onde estrangeiros podem atuar em escritórios jurídicos em funções que não exigem licença local.
A organização de fiscalização Campaign for Accountability apresentou uma denúncia à Ordem dos Advogados da Califórnia e pediu que a entidade investigue se Zacharia se apresentou como autorizada a exercer a profissão sem ter licença. A diretora-executiva do grupo, Michelle Kuppersmith, afirmou que a porta-voz teria usado o título para reforçar sua reputação e credibilidade.
A Casa Branca defendeu Zacharia. O diretor de comunicação, Steven Cheung, disse que ela é “extremamente inteligente” e tem qualificações únicas para o cargo. A porta-voz também foi questionada após sua primeira entrevista coletiva, quando leu um roteiro com dificuldade e respondeu a perguntas de apenas três jornalistas.
Para entender
- Ordem dos Advogados da Califórnia
- Nos Estados Unidos, a autorização para exercer a advocacia é concedida por jurisdições estaduais. Na Califórnia, a aprovação no exame da Ordem é um requisito para obter licença profissional; um diploma de Direito, por si só, não habilita alguém a atuar como advogado no estado.