CBF pede investigação de presidente da Gaviões por fala sobre árbitros
A representação foi enviada ao Ministério Público de São Paulo após Alê dizer que a torcida sabe onde os árbitros se hospedam; cabe às autoridades avaliar o caso.
Resumo em 30 segundos
A CBF pediu ao Ministério Público de São Paulo que investigue Alexandre Domenico, o Alê, presidente da Gaviões da Fiel, por uma publicação sobre árbitros. A entidade também solicitou reforço na segurança da arbitragem e a análise de outras medidas. Alê negou ter ameaçado os profissionais e disse que escreveu como torcedor.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que investigue Alexandre Domenico, conhecido como Alê e presidente da torcida organizada Gaviões da Fiel, por uma publicação sobre árbitros nas redes sociais. O dirigente escreveu que a torcida sabe onde profissionais da arbitragem se hospedam e que estava ficando “insustentável segurar a massa”. A manifestação foi publicada na quarta-feira (28), antes do jogo entre Corinthians e Mirassol, marcado para esta sexta-feira (30), no Campeonato Brasileiro.
Na mensagem, Alê criticou decisões de arbitragem e afirmou que a “cota de vocês roubarem a gente dentro da arena já deu”. Também disse que a torcida recebia mensagens com informações sobre a hospedagem dos árbitros e pediu que eles tivessem responsabilidade dentro e fora de campo. “Isso não é uma ameaça. Só estamos avisando que já está ficando insustentável segurar a massa”, escreveu.
A CBF apresentou representação criminal e solicitou ao MP-SP a abertura de procedimento investigatório ou a requisição de um inquérito policial. A entidade afirma que as declarações podem ter caráter intimidatório e pede que sejam apuradas possíveis responsabilidades por ameaça e incitação ao crime, previstas no Código Penal, além de eventual incitação à violência relacionada a evento esportivo, prevista na Lei Geral do Esporte. A representação não equivale a uma conclusão de que houve crime; cabe às autoridades avaliar os fatos.
A confederação também pediu medidas para ampliar a segurança das equipes de arbitragem nos próximos jogos do Corinthians. Entre as providências solicitadas estão proteção nos estádios, hotéis e deslocamentos dos profissionais, preservação dos dados da publicação e apuração de como informações sobre a hospedagem dos árbitros chegaram ao conhecimento do grupo.
A CBF pediu ainda que dirigentes da Gaviões da Fiel sejam ouvidos e que o MP avalie medidas cautelares contra Alê. A entidade também solicitou providências cíveis e coletivas envolvendo o dirigente, outros representantes eventualmente relacionados ao caso e a própria torcida organizada, com base na Lei Geral do Esporte. A aplicação de qualquer medida depende da análise das autoridades.
Antes do pedido da CBF, integrantes do Ministério Público se reuniram com Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), e decidiram encaminhar um ofício ao presidente da Gaviões. O documento solicita que ele se manifeste em até cinco dias. A iniciativa ocorre em paralelo à representação da confederação.
Em resposta, Alê afirmou que publicou a mensagem em seu perfil pessoal, como torcedor, e não em nome da organizada. Disse que escreveu “de cabeça quente” e que a reclamação refletia a insatisfação de corintianos com decisões de arbitragem. Segundo ele, a equipe passou 31 rodadas do Campeonato Brasileiro sem ter um pênalti marcado a seu favor.
O dirigente também citou um lance em que, segundo sua versão, um jogador do Corinthians recebeu cartão amarelo por simulação, mas o árbitro assinalou pênalti após análise do árbitro de vídeo (VAR). Ele mencionou ainda um puxão de camisa na área no fim da partida, que, na avaliação de torcedores, também poderia ter resultado em penalidade. As referências fazem parte da justificativa apresentada por Alê para o tom da publicação.
Alê negou que tenha ameaçado os árbitros ou incentivado qualquer ação contra eles. Afirmou que mencionou as mensagens recebidas de torcedores para descrever o clima de revolta, e declarou que a equipe de arbitragem deixou o estádio sem ser perseguida. Disse que pretende continuar cobrando uma arbitragem que considera justa e transparente.
A CBF afirmou que críticas à arbitragem são legítimas, mas não devem se transformar em intimidação ou ameaça. A entidade declarou que pediu a investigação para proteger a integridade e a independência dos árbitros e dos demais profissionais envolvidos nas competições. O caso agora depende da análise do Ministério Público, que poderá decidir sobre a abertura de investigação e as providências solicitadas.
Para entender
- Gaviões da Fiel
- Torcida organizada ligada ao Corinthians, conhecida por acompanhar o clube em partidas e promover atividades relacionadas à equipe. Alexandre Domenico, conhecido como Alê, é citado no caso como presidente da organização.