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Quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Cuiabá pede transfer ban de dois anos para o Corinthians por dívida

O clube afirma que o Corinthians deve R$ 16,3 milhões; o pedido também inclui a suspensão ou o cancelamento do certificado de formação de atletas.

Por Redação Plantão Paulista 3 min de leitura
Imagem gerada por IA: Bola e documentos sem escrita diante de um estádio de futebol vazio. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Bola e documentos sem escrita diante de um estádio de futebol vazio.
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O Cuiabá pediu à CNRD que encerre o plano coletivo de pagamento do Corinthians e aplique ao clube um transfer ban de dois anos. A dívida direta com o time mato-grossense é de R$ 16,3 milhões. O pedido ainda aguarda análise; a eventual perda de pontos foi mencionada como possibilidade futura, não como solicitação atual.

O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, criticou os atrasos do Corinthians no pagamento de dívidas incluídas em um plano coletivo da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), ligada à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O clube mato-grossense pediu que o acordo seja encerrado e que o Corinthians receba um transfer ban de dois anos, punição que impede o registro de novos jogadores. A solicitação ainda não tem prazo para ser analisada.

O pedido apresentado pelo Cuiabá à CNRD também solicita a suspensão ou o cancelamento do Certificado de Clube Formador do Corinthians. Esse documento reconhece a estrutura e as condições oferecidas para a formação de atletas de base e está relacionado à proteção dos direitos dos clubes formadores e ao registro de jovens jogadores.

A dívida direta do Corinthians com o Cuiabá está em R$ 16,3 milhões, segundo Dresch. O valor inclui parcelas pendentes pela negociação do volante Raniele: o acordo previa o pagamento de R$ 18 milhões, mas o clube mato-grossense recebeu pouco mais de R$ 2 milhões até agora. A transação foi incluída no plano coletivo de pagamento do Corinthians.

Dresch afirma que o modelo permite alongar dívidas sem aplicar os juros previstos originalmente e, assim, transfere aos credores o custo do financiamento. “O plano de pagamento que a CNRD fez pro Corinthians é um plano fracassado”, disse. Ele argumenta que os valores recebidos ao longo de seis anos perdem valor enquanto o Cuiabá continua arcando com despesas financeiras.

O presidente estima que, sobre os R$ 16,3 milhões em aberto, uma taxa mensal de 1,5% representaria cerca de R$ 250 mil em juros pagos pelo Cuiabá a bancos. Segundo ele, a falta dos repasses contribuiu para o aumento das dívidas do clube e levou a diretoria a recorrer a empréstimos para cumprir compromissos.

Em comunicado divulgado em 20 de outubro, o Corinthians afirmou que está ciente da situação do acordo com a CNRD e trabalha para regularizar as obrigações. “O Clube tem se empenhado na busca de soluções que permitam o cumprimento de suas obrigações financeiras, dentro do processo de reestruturação atualmente conduzido pela direção.” A nota acrescenta que o tema é tratado como prioridade e que o clube adotará medidas para solucioná-lo.

Dresch também defendeu a atuação da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que deve começar a operar com regras de fair play financeiro. O dirigente espera que o órgão aplique sanções a partir de janeiro, fevereiro ou março. “Se não pagar, em breve perderá pontos”, afirmou. A perda de pontos foi apresentada por ele como uma possibilidade futura ligada à inadimplência; o pedido atual do Cuiabá à CNRD é de transfer ban por dois anos, não de retirada de pontos.

O presidente do Cuiabá ainda criticou a negociação do Corinthians com a Caixa Econômica Federal para quitar uma dívida de R$ 640 milhões relacionada à Neo Química Arena por meio da cessão dos direitos de nome do estádio. Dresch afirmou que o acordo envolve recursos públicos e questionou se condições semelhantes seriam oferecidas a outros clubes. O Corinthians informou que não comentaria as declarações sobre a negociação com a Caixa.

Além do Corinthians, o Cuiabá tem valores a receber de Santos, Grêmio, Sport, Paysandu, Avaí e Vitória, segundo Dresch. Ele disse que a dívida do clube mato-grossense subiu de R$ 12 milhões para R$ 35 milhões nos últimos três anos, em parte pela falta desses pagamentos, e que a folha salarial do elenco foi reduzida para R$ 1,2 milhão.

Apesar das dificuldades, o Cuiabá mantém investimento de cerca de R$ 9 milhões anuais na formação de atletas. Dresch afirmou que até cinco jogadores formados no clube chegaram a ser titulares em algumas partidas em 2026 e disse que o projeto é reduzir a dependência de recursos externos. O clube foi rebaixado em 2024.

Para entender

CNRD
A Câmara Nacional de Resolução de Disputas é um órgão ligado à CBF que atua na solução de conflitos relacionados ao futebol. Entre os temas tratados estão disputas financeiras e questões envolvendo clubes, atletas e outras partes do esporte.
Transfer ban
É uma sanção que impede um clube de registrar novos jogadores durante determinado período. A punição não significa, por si só, perda de pontos em competições.

Fontes: Estadão

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