Campanha de Lula pede ao TSE investigação sobre atuação da Meta
A ação pede a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro e aponta diferenças no alcance de vídeos e no uso de ferramentas da empresa.
Resumo em 30 segundos
A campanha de Lula informou que pedirá ao TSE uma investigação sobre a atuação da Meta nas eleições e a cassação da chapa de Flávio Bolsonaro, que tem Alfredo Gaspar como vice. A ação aponta possível tratamento desigual nas plataformas e cita problemas de alcance, anúncios políticos e respostas da Meta AI. A empresa nega intenção de favorecer o senador.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta quarta-feira, 21 de outubro, que pedirá ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a abertura de uma investigação sobre a atuação da Meta nas eleições. A ação solicita a cassação da chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e inclui o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa, além do influenciador Pablo Marçal e do empresário Tallis Gomes.
A coligação afirma que plataformas da Meta — Instagram, Facebook, WhatsApp e Meta AI — teriam tratado os candidatos de forma desigual e favorecido Flávio. A empresa nega intenção de beneficiar o senador. A ação é uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), instrumento usado para apurar abuso de poder econômico ou político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma eleição. Se o TSE reconhecer as irregularidades e responsabilizar os envolvidos, a legislação prevê sanções que podem incluir a cassação de registros ou diplomas e a inelegibilidade.
Entre os exemplos apresentados pela campanha está a diferença no alcance médio de vídeos curtos publicados como Reels: segundo a denúncia, o conteúdo de Flávio teria alcançado quase três vezes mais pessoas, embora ele tivesse menos seguidores. O documento também aponta que o perfil oficial de Lula teve o impulsionamento bloqueado às vésperas do primeiro turno.
A campanha afirma ainda que a ferramenta Meta AI produziu peças com a frase “Vote 22”, mas recusou pedidos equivalentes com o número 13. A ação menciona uma rede de 255 perfis de conteúdo sintético e 1.613 anúncios políticos pagos em moeda estrangeira. Também questiona anúncios impulsionados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) entre os dias 7 e 9 e acusa a empresa de descumprir decisões judiciais. A legislação eleitoral proíbe que pessoas jurídicas financiem propaganda eleitoral.
Marçal, ex-candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024, atua nas redes sociais como conselheiro da campanha de Flávio. Gomes também é apontado como conselheiro e, segundo a denúncia, articula apoio de empresários conservadores contrários à reeleição de Lula.
Em documento divulgado nesta quarta-feira, especialistas independentes da Organização das Nações Unidas pediram tratamento equânime aos candidatos brasileiros pela Meta e a correção de problemas identificados. “Perder alcance pode significar perder voz no debate público e a capacidade de mobilizar comunidades”, afirma um trecho. A empresa já reconheceu problemas de moderação e falhas técnicas, mas negou que tenha agido para favorecer Flávio.
Para entender
- Ação de Investigação Judicial Eleitoral
- A AIJE é um instrumento da Justiça Eleitoral para apurar abuso de poder econômico ou político e uso indevido dos meios de comunicação durante uma eleição. Se houver responsabilização, as sanções podem incluir cassação de registro ou diploma e inelegibilidade, conforme a legislação.