Bukele envia tropas e blindados ao Haiti para resgatar militares
As imagens divulgadas pelo presidente mostram helicópteros e veículos sendo embarcados; quatro salvadorenhos desapareceram após uma emboscada em 18 de outubro.
Resumo em 30 segundos
El Salvador mobilizou mais de 2 mil militares, blindados e helicópteros para resgatar quatro integrantes salvadorenhos de uma missão de segurança apoiada pela ONU, desaparecidos após uma emboscada em outubro. O governo haitiano não esclareceu se as tropas integrarão a missão internacional. A mobilização ocorre em meio à escalada da violência em Porto Príncipe.
El Salvador enviou blindados, helicópteros e mais de 2 mil militares ao Haiti para resgatar quatro integrantes salvadorenhos de uma missão de segurança apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os soldados desapareceram em 18 de outubro, após uma emboscada de gangues contra o veículo blindado em que voltavam à base, nos arredores de Porto Príncipe. O envio foi mostrado nesta quinta-feira, 29 de outubro, em imagens divulgadas pelo presidente Nayib Bukele.
O vídeo publicado por Bukele na rede social X mostra militares embarcando em aeronaves e ao menos quatro helicópteros e quatro veículos blindados sendo içados por guindastes. As imagens indicam que os blindados foram transportados em um avião militar. Uma aeronave Boeing 737-401, pertencente à empresa equatoriana Aeroregional, fez deslocamentos entre Equador, El Salvador e Haiti entre 23 e 27 de outubro, segundo dados do site Flightradar24.
“Estamos dando uma lição às gangues (...) que fazem o povo haitiano sofrer”, escreveu Bukele. Em outra publicação, afirmou que a operação não é contra a população haitiana nem representa uma invasão e disse que El Salvador financia 90% da ofensiva. Em 21 de outubro, o presidente havia ameaçado acabar com os grupos armados, comparando a ação à política contra quadrilhas criminosas em seu país.
A Força de Supressão de Gangues é uma missão de segurança apoiada pela ONU, criada para auxiliar a polícia haitiana no combate a organizações armadas. O governo haitiano não esclareceu se o contingente salvadorenho será integrado à missão internacional ou se atuará de forma independente. Na quarta-feira, Bukele conversou por telefone com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aimé. Os dois governos afirmaram que trataram de ampliar a coordenação bilateral e a cooperação operacional, incluindo resgates e ações de segurança.
A mobilização ocorre em meio ao aumento da violência em Porto Príncipe. Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou nesta quinta-feira para a chegada de mulheres e crianças feridas a seus hospitais. A organização também relatou que os confrontos se intensificaram após o desaparecimento dos salvadorenhos e que houve explosões causadas por drones no nordeste da capital.
O Haiti também adiou para 2027 as eleições presidenciais e legislativas, previstas inicialmente para dezembro deste ano. O conselho eleitoral anunciou na quarta-feira que o primeiro turno ocorrerá em 18 de julho de 2027; o segundo turno e as eleições locais estão marcados para 4 de outubro. O país não realiza eleições desde 2016, e o calendário foi alterado em meio à insegurança e à expansão territorial das gangues.