Nayib Bukele avalia libertação condicional de presos ligados a gangues
A proposta pode beneficiar cerca de metade dos detidos por colaborar com grupos criminosos, mas ainda não há critérios nem prazo para a medida.
Resumo em 30 segundos
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, disse que o governo avalia libertar antecipadamente, sob monitoramento, cerca de metade dos presos por colaborar com gangues. Não foram divulgados critérios ou prazo. A proposta é apresentada em meio a críticas ao regime de exceção, que levou a dezenas de milhares de detenções e denúncias de abusos.
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou nesta terça-feira (13) que o governo avalia libertar antecipadamente e sob condições parte dos presos por colaborar com gangues. A proposta poderia beneficiar cerca de metade dos detidos nessa categoria, mas ainda não teve detalhes divulgados sobre critérios ou prazo de implementação.
Bukele disse que os beneficiados seriam monitorados após a saída da prisão. Segundo ele, há pessoas culpadas de colaborar com grupos criminosos, mas o governo pretende avaliar o grau de participação de cada uma. Como exemplo, mencionou quem avisou integrantes de uma gangue sobre a aproximação da polícia.
O presidente falou sobre a proposta ao responder a uma pergunta sobre publicações de abril feitas por seu irmão, Ibrajim Bukele, na rede social X. Nelas, o irmão afirmou que uma comissão independente analisa casos de detidos e atua junto ao Ministério Público, ao Ministério da Justiça e aos Centros Penais. Também mencionou a participação do que seria um gabinete da primeira-dama.
“Imagino que o que ele quis dizer (...) é que nós não temos nenhuma intenção de manter na prisão qualquer pessoa que não seja culpada”, declarou o presidente. Em junho de 2025, Bukele já havia mencionado que mais da metade dos presos passava por reabilitação e poderia ser libertada nos anos seguintes.
Quase 93 mil pessoas foram detidas sob o regime de exceção, em vigor há quatro anos. A medida ampliou os poderes de segurança do Estado para combater as gangues e foi associada pelo governo à queda da criminalidade. Bukele afirma que a taxa de homicídios caiu de 106 por 100 mil habitantes, em 2015, para 1,9 em 2024.
A política, porém, é alvo de críticas de organizações de direitos humanos. Segundo a organização Socorro Jurídico, ao menos 30 mil detidos são inocentes e mais de 500 morreram sob custódia do Estado desde a expansão da política carcerária. ONGs e um grupo de especialistas das Nações Unidas também afirmam que a repressão resultou em crimes contra a humanidade.
Bukele sustenta que as gangues mataram cerca de 200 mil pessoas nas últimas três décadas. Em 2025, ele disse que milhares de detidos já haviam sido soltos por serem inocentes; grupos de direitos humanos contestaram essa avaliação e afirmaram que parte dos libertados ainda respondia a processos, enquanto milhares de pessoas inocentes continuavam presas. O regime de exceção, iniciado há quatro anos, permanece como base da estratégia de segurança do governo.
Para entender
- Regime de exceção em El Salvador
- Medida adotada pelo governo salvadorenho para ampliar os poderes de segurança no combate às gangues. Ela permitiu detenções em larga escala e é a base da estratégia de segurança de Bukele, mas também é criticada por organizações de direitos humanos por denúncias de prisões arbitrárias e abusos.