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Quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Nayib Bukele avalia libertação condicional de presos ligados a gangues

A proposta pode beneficiar cerca de metade dos detidos por colaborar com grupos criminosos, mas ainda não há critérios nem prazo para a medida.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Corredor de prisão em El Salvador, com celas gradeadas e um agente ao fundo. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Corredor de prisão em El Salvador, com celas gradeadas e um agente ao fundo.
Resumo em 30 segundos

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, disse que o governo avalia libertar antecipadamente, sob monitoramento, cerca de metade dos presos por colaborar com gangues. Não foram divulgados critérios ou prazo. A proposta é apresentada em meio a críticas ao regime de exceção, que levou a dezenas de milhares de detenções e denúncias de abusos.

O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, afirmou nesta terça-feira (13) que o governo avalia libertar antecipadamente e sob condições parte dos presos por colaborar com gangues. A proposta poderia beneficiar cerca de metade dos detidos nessa categoria, mas ainda não teve detalhes divulgados sobre critérios ou prazo de implementação.

Bukele disse que os beneficiados seriam monitorados após a saída da prisão. Segundo ele, há pessoas culpadas de colaborar com grupos criminosos, mas o governo pretende avaliar o grau de participação de cada uma. Como exemplo, mencionou quem avisou integrantes de uma gangue sobre a aproximação da polícia.

O presidente falou sobre a proposta ao responder a uma pergunta sobre publicações de abril feitas por seu irmão, Ibrajim Bukele, na rede social X. Nelas, o irmão afirmou que uma comissão independente analisa casos de detidos e atua junto ao Ministério Público, ao Ministério da Justiça e aos Centros Penais. Também mencionou a participação do que seria um gabinete da primeira-dama.

“Imagino que o que ele quis dizer (...) é que nós não temos nenhuma intenção de manter na prisão qualquer pessoa que não seja culpada”, declarou o presidente. Em junho de 2025, Bukele já havia mencionado que mais da metade dos presos passava por reabilitação e poderia ser libertada nos anos seguintes.

Quase 93 mil pessoas foram detidas sob o regime de exceção, em vigor há quatro anos. A medida ampliou os poderes de segurança do Estado para combater as gangues e foi associada pelo governo à queda da criminalidade. Bukele afirma que a taxa de homicídios caiu de 106 por 100 mil habitantes, em 2015, para 1,9 em 2024.

A política, porém, é alvo de críticas de organizações de direitos humanos. Segundo a organização Socorro Jurídico, ao menos 30 mil detidos são inocentes e mais de 500 morreram sob custódia do Estado desde a expansão da política carcerária. ONGs e um grupo de especialistas das Nações Unidas também afirmam que a repressão resultou em crimes contra a humanidade.

Bukele sustenta que as gangues mataram cerca de 200 mil pessoas nas últimas três décadas. Em 2025, ele disse que milhares de detidos já haviam sido soltos por serem inocentes; grupos de direitos humanos contestaram essa avaliação e afirmaram que parte dos libertados ainda respondia a processos, enquanto milhares de pessoas inocentes continuavam presas. O regime de exceção, iniciado há quatro anos, permanece como base da estratégia de segurança do governo.

Para entender

Regime de exceção em El Salvador
Medida adotada pelo governo salvadorenho para ampliar os poderes de segurança no combate às gangues. Ela permitiu detenções em larga escala e é a base da estratégia de segurança de Bukele, mas também é criticada por organizações de direitos humanos por denúncias de prisões arbitrárias e abusos.

Fontes: Folha de S.Paulo

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