Conselho eleitoral do Haiti adia eleições presidenciais para 2027
O primeiro turno está marcado para 18 de julho, e o segundo, junto com as eleições locais, para 4 de outubro; Nayib Bukele planeja enviar mais de 2.000 militares.
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O Haiti adiou para 2027 as eleições presidenciais e legislativas, previstas inicialmente para dezembro. O novo calendário marca o primeiro turno em 18 de julho e o segundo, junto com as eleições locais, em 4 de outubro. A votação ocorre em meio à violência de grupos armados e a planos de envio de militares salvadorenhos.
O conselho eleitoral do Haiti adiou para 2027 as eleições presidenciais e legislativas, que estavam previstas para dezembro. O novo calendário, divulgado nesta quarta-feira (28), marca o primeiro turno para 18 de julho e o segundo, junto com as eleições locais, para 4 de outubro. O país caribenho não realiza eleições desde 2016.
O cronograma anterior, anunciado em julho, previa a votação para 13 de dezembro. No início deste mês, o conselho informou que estava revendo as datas, sem apresentar um novo prazo. Líderes de transição têm adiado eleições, alegando que a violência e o avanço de grupos criminosos armados impedem condições de segurança para a votação.
A realização das eleições depende de condições que permitam aos eleitores votar com segurança e às autoridades conduzir o processo. Desde 2024, tropas estrangeiras participam de missões de segurança apoiadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de auxiliar a polícia haitiana a proteger bairros e criar condições para uma eleição segura e confiável.
A decisão foi anunciada pouco mais de uma semana depois de quatro técnicos de aviação salvadorenhos desaparecerem após uma emboscada ao veículo em que viajavam, em uma área controlada por gangues nos arredores de Porto Príncipe. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou uma operação para resgatá-los e enviou centenas de soldados ao Haiti. Não foram detalhados o comando, o período de permanência nem as funções dos militares.
O Ministério das Relações Exteriores de El Salvador informou que Bukele conversou por telefone nesta quarta-feira com o primeiro-ministro haitiano, Alix Didier Fils-Aime, e pretendia enviar mais de 2.000 militares ao país. O gabinete de Fils-Aime confirmou a conversa e afirmou que os dois líderes “reafirmaram seu compromisso de reforçar a coordenação bilateral e a cooperação operacional no âmbito da Força de Repressão às Gangues (apoiada pela ONU), especialmente para apoiar operações de resgate e enfrentar os desafios de segurança”.
O comunicado do gabinete não esclareceu se as novas tropas salvadorenhas integrariam a força apoiada pela ONU ou atuariam fora dela. A missão internacional tem como objetivo apoiar a polícia local diante da violência armada, mas o conselho eleitoral ainda não detalhou como o adiamento afetará as etapas preparatórias da votação.