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Quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Brasil volta a ter dívida externa líquida maior que ativos externos

Em junho de 2026, a dívida externa bruta chegou a US$ 407,1 bilhões e as reservas internacionais do Brasil somaram US$ 402 bilhões.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Fachada de um edifício institucional em uma cidade brasileira, sob céu nublado. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Fachada de um edifício institucional em uma cidade brasileira, sob céu nublado.
Resumo em 30 segundos

O Brasil voltou a registrar dívida externa líquida positiva no segundo trimestre de 2026, encerrando uma posição de credor externo líquido mantida desde 2007. Em junho, a dívida externa bruta superou as reservas internacionais em US$ 5,1 bilhões. A mudança reduz a margem de segurança, mas não indica falta iminente de dólares para pagar compromissos.

O Brasil voltou a registrar dívida externa líquida positiva no segundo trimestre de 2026, segundo dados do Banco Central (BC). O resultado, de US$ 5,1 bilhões, significa que a dívida externa bruta superou as reservas internacionais e os demais ativos considerados no cálculo, encerrando uma posição de credor externo líquido mantida desde 2007.

Em junho, a dívida externa bruta era de US$ 407,1 bilhões, enquanto as reservas internacionais somavam US$ 402 bilhões. A diferença entre os valores corresponde aos US$ 5,1 bilhões de dívida líquida. O indicador compara obrigações do país com o exterior aos ativos externos que podem servir para cobri-las.

A mudança não significa que o Brasil esteja perto de ficar sem dólares para pagar compromissos. As reservas continuam sendo uma proteção contra choques externos, oscilações cambiais e interrupções na entrada de recursos. Com a dívida líquida positiva, porém, o país deixou de ter ativos externos superiores às obrigações nessa conta, reduzindo a margem de segurança que mantinha.

A trajetória se alterou nos últimos anos. Quando Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o terceiro mandato, em janeiro de 2023, as reservas superavam a dívida externa em US$ 27,5 bilhões. A diferença chegou a quase US$ 40 bilhões no primeiro trimestre daquele ano e, depois, entrou em tendência de queda.

O histórico mostra oscilações ao longo de diferentes governos. No fim do segundo mandato de Lula, em 2010, a diferença era de US$ 50,6 bilhões. Ao término do primeiro mandato de Dilma Rousseff, em 2014, havia recuado 9,7%, para US$ 45,7 bilhões; depois, voltou a crescer e chegou a US$ 67,4 bilhões no quarto trimestre de 2018, quando Michel Temer deixou a Presidência.

Durante o governo de Jair Bolsonaro, o saldo entre reservas e dívida externa atingiu US$ 82,4 bilhões no segundo trimestre de 2019. A diferença diminuiu no período da pandemia e terminou o mandato em US$ 27,5 bilhões. A sequência de credor externo líquido iniciada em 2007 atravessou a crise financeira de 2008, a recessão de 2014 a 2016 e a pandemia, antes de ser interrompida neste ano.

Fontes: Gazeta do Povo

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