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Domingo, 4 de outubro de 2026

Brasil lidera compras de diesel dos EUA e fica exposto a restrição

A dependência cresceu após a Rússia prolongar limites às exportações; uma proibição americana poderia afetar o abastecimento e pressionar os preços no Brasil.

Por Redação Plantão Paulista 4 min de leitura
Imagem gerada por IA: Caminhão-tanque ao lado de reservatórios de combustível em um terminal de distribuição. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Caminhão-tanque ao lado de reservatórios de combustível em um terminal de distribuição.
Resumo em 30 segundos

O Brasil se tornou o principal comprador de diesel dos Estados Unidos e pode ser afetado caso o governo Trump limite as exportações do combustível. A dependência aumentou após a Rússia prolongar restrições às vendas. Para reforçar a oferta, o país avalia ampliar compras da Índia e a produção de biodiesel, além de contar com cargas reservadas pela Petrobras para outubro.

A decisão de países industrializados, entre eles os Estados Unidos, de liberar diesel de seus estoques busca conter a alta dos preços e ocorre em meio à preocupação de que o governo de Donald Trump restrinja as exportações do combustível. O Brasil, que se tornou o principal comprador de diesel americano, está entre os países mais expostos a uma eventual proibição, segundo análises do setor de energia.

Os Estados Unidos são atualmente o maior exportador mundial de diesel. O combustível é essencial para o transporte rodoviário de cargas, a agricultura e a mineração, e os embarques americanos ganharam importância com as interrupções no comércio e no refino causadas por conflitos e restrições de oferta na Rússia e no Oriente Médio.

A possibilidade de limitar as exportações ganhou força depois da disparada dos preços do diesel. Parlamentares republicanos defenderam a medida para priorizar o abastecimento interno, mas uma restrição poderia afetar parceiros comerciais na América Latina e na Europa. Brasil e México estão entre os maiores compradores globais do combustível dos EUA.

O Brasil passou recentemente à liderança nas compras de diesel americano. O movimento se intensificou nas últimas semanas, depois que a Rússia prolongou limitações às exportações do produto, em meio a ataques de drones ucranianos contra refinarias russas.

A dependência preocupa porque o diesel é central para o agronegócio brasileiro e a capacidade nacional de refino não basta para atender toda a demanda. Embora o país tenha uma indústria de refino relevante, o volume produzido internamente não elimina a necessidade de importações, segundo Reid I’Anson, economista da consultoria Kpler.

Para reforçar a oferta, autoridades brasileiras avaliam ampliar compras da Índia e aumentar a produção de biodiesel, que pode ser fabricado a partir da soja. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também elevou os subsídios ao diesel. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou que a companhia já havia reservado cargas para outubro, medida que busca dar previsibilidade ao abastecimento no mês.

A liberação de combustível dos estoques dos países participantes pode ajudar a ampliar a oferta disponível e reduzir a pressão sobre os preços. Estoques são reservas mantidas para enfrentar interrupções de fornecimento ou situações de emergência; sua liberação aumenta temporariamente o volume que pode chegar ao mercado, mas não substitui de forma permanente a produção ou as importações regulares.

Em setembro, seis dos dez principais destinos do diesel exportado pelos Estados Unidos estavam na América Latina, segundo dados da Vortexa, empresa que monitora cargas de energia. Além de Brasil e México, Chile e Equador estão entre os países da região que podem sentir os efeitos de uma interrupção nas vendas americanas.

O México tenta reduzir há anos sua dependência de combustíveis importados dos Estados Unidos, mas atrasos técnicos e custos acima do previsto dificultaram a expansão do refino doméstico. A produção mexicana de diesel continua insuficiente, e o norte do país, onde se concentra uma ampla base industrial, pode ser particularmente afetado caso sejam interrompidas as exportações por dutos que cruzam a fronteira com o Texas.

Países menores da América Latina também podem enfrentar dificuldades, sobretudo na América Central, que dispõe de pouca capacidade de refino. A falta de diesel pode atingir atividades de transporte, agricultura e mineração, inclusive em economias importantes para a produção de cobre, prata e lítio. O Chile tem exposição elevada: os Estados Unidos respondem por 88% de suas importações de diesel, de acordo com a S&P Global Energy.

Na Europa, Reino Unido e Países Baixos são os maiores importadores de diesel americano, seguidos por França e Espanha. O Reino Unido obtém dos Estados Unidos cerca de um terço do diesel que importa e teve sua capacidade de produção reduzida por fechamentos de refinarias. Já os Países Baixos são consumidores e também um centro regional de armazenamento e refino; uma redução dos suprimentos americanos poderia diminuir estoques e afetar o transporte de combustível por barcaças no rio Reno.

O economista de energia Philip K. Verleger afirmou que uma proibição americana poderia ter consequências além de uma interrupção imediata de fornecimento. Ele comparou o possível efeito ao embargo temporário às exportações de soja imposto pelo presidente Richard Nixon em 1973, que levou o Japão a buscar outros fornecedores e contribuiu para a expansão do Brasil no mercado mundial da commodity. Para Verleger, limitar as vendas de diesel também poderia acelerar a procura por fontes alternativas e prejudicar a confiança dos parceiros nos Estados Unidos como fornecedor de energia.

Para entender

Diesel
Combustível usado principalmente em motores a diesel. É essencial para o transporte rodoviário de cargas e também abastece máquinas e veículos utilizados em atividades como agricultura e mineração.
Biodiesel
Combustível produzido a partir de óleos vegetais ou gorduras animais. No Brasil, a soja é uma das matérias-primas possíveis. O biodiesel pode ser misturado ao diesel de petróleo para uso em motores compatíveis.

Fontes: Estadão

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