Brasil usa 20,4 mil km de rios para transportar cargas
Apesar de movimentar 91,3 milhões de toneladas em 2025, o transporte hidroviário tem participação modesta e enfrenta desafios de infraestrutura e coordenação.
Resumo em 30 segundos
O Brasil usa 20,4 mil quilômetros de rios para transportar cargas e passageiros, menos da metade da extensão prevista no Plano Nacional de Viação. Estudo da CNT aponta gargalos e propõe coordenar a política hidroviária, manter recursos para eclusas e ampliar concessões. Em 2025, o governo investiu R$ 529 milhões em hidrovias.
O Brasil usa 20,4 mil quilômetros de rios para transportar cargas e passageiros, menos da metade dos 41,7 mil quilômetros previstos no Plano Nacional de Viação. A diferença é apontada por um estudo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que analisa a regulação e a gestão da navegação interior no país e propõe medidas para ampliar o uso dos rios como corredores logísticos.
A navegação fluvial movimentou 91,3 milhões de toneladas de cargas em 2025, alta de 19,7% em relação ao ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Apesar do crescimento, o estudo avalia que o transporte hidroviário ainda tem participação modesta na matriz de cargas, diante da extensão de rios navegáveis e do potencial de uso.
A maior parte das cargas transportadas por rios passa pelas bacias Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai. Entre os produtos movimentados estão soja, milho, minério de ferro, petróleo e derivados, celulose e veículos automotores. O transporte hidroviário pode integrar esses trajetos a outros modais, como ferrovias e rodovias, para compor corredores logísticos.
O relatório defende que a existência de rios navegáveis, por si só, não significa que haja uma hidrovia estruturada. Para que a navegação seja regular e eficiente, são necessárias condições de infraestrutura, manutenção e coordenação pública. O documento foi elaborado com contribuições de representantes dos setores público e privado e identifica nove gargalos para o desenvolvimento do sistema.
Entre as propostas está criar uma instância nacional para coordenar a política hidroviária, com participação de governos, população, empresas e universidades. A CNT também recomenda assegurar recursos contínuos ao Programa de Operação e Manutenção de Eclusas (Proeclusas), que apoia a conservação dessas estruturas, e ampliar o uso de concessões privadas para modernizar a infraestrutura. O plano sugerido tem horizonte até 2046 e prevê priorizar corredores integrados a outros meios de transporte.
O governo federal investiu R$ 529 milhões em hidrovias em 2025, valor 36% superior ao de 2024, de acordo com balanço da Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos. Para rodovias, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes destinou R$ 8,6 bilhões no mesmo ano.
O diretor de Gestão Hidroviária do ministério, Eliezé Bulhões, afirmou em outubro, durante o 12º Seminário Hidrovia Já, que o orçamento para hidrovias é 20 vezes menor. Ele disse que o tema será trabalhado em 2027 e nos anos seguintes, com foco na integração entre hidrovias e os demais modais. Para o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, aproveitar o potencial dos rios exige planejamento, infraestrutura adequada e segurança regulatória.
Para entender
- Eclusas
- Estruturas que permitem a passagem de embarcações entre trechos de um rio ou canal com diferentes níveis de água. O funcionamento e a manutenção das eclusas podem ser importantes para manter rotas de navegação contínuas.