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Segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Concessões de rodovias federais podem elevar pedágio de caminhões

A CNT pediu ao Ministério dos Transportes os estudos da proposta e alerta que custos maiores nas futuras concessões podem afetar fretes e preços.

Por Redação Plantão Paulista 2 min de leitura
Imagem gerada por IA: Caminhão se aproxima de uma praça de pedágio em uma rodovia. Imagem gerada por IA
Imagem ilustrativa gerada por IA: Caminhão se aproxima de uma praça de pedágio em uma rodovia.
Resumo em 30 segundos

Projetos da sexta etapa das concessões de rodovias federais preveem elevar de duas para três vezes por eixo o multiplicador usado no cálculo do pedágio de caminhões e ônibus. O efeito não será igual em todos os contratos. Em um projeto, a estimativa é de alta de cerca de 6% na tarifa final.

Uma mudança prevista para futuras concessões de rodovias federais pode elevar o multiplicador usado no cálculo do pedágio de caminhões e ônibus de duas para três vezes a Tarifa Básica de Pedágio por eixo. A Confederação Nacional do Transporte (CNT) pediu ao Ministério dos Transportes os estudos técnicos e econômicos que embasaram a proposta e alerta para possíveis efeitos sobre o frete e os preços de mercadorias.

A alteração aparece nos projetos da sexta etapa do Programa de Concessões de Rodovias Federais e considera, segundo o Ministério, o impacto dos veículos comerciais sobre a infraestrutura rodoviária. A regra não significa que todas as tarifas para caminhões subirão automaticamente 50%: o resultado depende das características e da estrutura financeira de cada contrato.

Em um dos projetos avaliados pela CNT, o da Rota Gerais, a estimativa é de aumento de cerca de 6% na tarifa final. Pela fórmula proposta, um caminhão com oito eixos teria equivalência de cobrança correspondente a 12 eixos; um veículo com nove eixos, a 13,5.

Caminhões e ônibus pagam pedágio conforme o número de eixos, que influencia o valor cobrado. A elevação do multiplicador aumenta o peso desses veículos no cálculo da arrecadação das concessionárias, mas o efeito sobre a tarifa depende também de fatores próprios de cada concessão, como tráfego e investimentos previstos.

A CNT considera que a cobrança proporcional aos eixos já leva em conta o impacto dos veículos na rodovia. Danielle Bernardes, gerente executiva para Governo Federal da entidade, questiona qual fundamento técnico justificaria alterar a proporção. A confederação também quer acesso aos estudos usados para sustentar a mudança.

A Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (ANUT) havia contestado a metodologia em julho. A entidade estima que a alteração poderia acrescentar R$ 42 bilhões aos custos de pedágio durante os contratos de sete projetos analisados. Também questiona a falta de uma análise de impacto regulatório e de uma audiência pública específica sobre a proposta.

O pedágio integra os custos operacionais das transportadoras. Caso as despesas aumentem, parte do custo pode ser incorporada ao frete e chegar aos preços dos produtos. Empresas de ônibus que circulam por rodovias concedidas também podem ter gastos maiores, com possível reflexo nas passagens.

A discussão ocorre enquanto o governo federal expande as concessões rodoviárias e estuda alternativas para reduzir ou isentar veículos leves do pedágio em alguns projetos. A proposta não representa, por enquanto, um reajuste geral das tarifas cobradas nas estradas: a mudança está relacionada às futuras concessões, e seus efeitos devem ser avaliados contrato a contrato.

Para entender

Tarifa Básica de Pedágio
É o valor básico definido em um contrato de concessão para calcular a cobrança pelo uso da rodovia. A tarifa paga por cada veículo pode variar conforme critérios como o número de eixos e as regras previstas no contrato.

Fontes: Estadão

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