Bradesco registra lucro de R$ 7,1 bilhões e vê inadimplência subir
A carteira de crédito avançou 1%, mas os atrasos acima de 90 dias chegaram a 4,6%; as provisões cresceram e o resultado de seguros recuou no trimestre.
Resumo em 30 segundos
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, com ROE de 15,6%. A inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,6% e as provisões para perdas com crédito aumentaram. O resultado de seguros recuou 8,6%, enquanto as despesas operacionais caíram 0,7%.
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,6%. O resultado veio acompanhado de aumento da inadimplência e das provisões para perdas com crédito, enquanto a receita do segmento de seguros recuou, fatores que podem pressionar as projeções para 2027, na avaliação do Itaú BBA.
A carteira de crédito expandida cresceu 1% no trimestre e chegou a R$ 1,15 trilhão. Já a inadimplência acima de 90 dias avançou 0,3 ponto percentual, para 4,6%. O indicador mede a parcela dos empréstimos em atraso por mais de três meses. Também houve piora nos atrasos de curto prazo, embora a proporção de créditos reestruturados tenha caído para 3% da carteira.
As despesas de provisão somaram R$ 10,6 bilhões, alta de 6,6% em relação ao trimestre anterior e de 24,3% em 12 meses. As provisões são recursos reservados para cobrir empréstimos que podem não ser pagos. O custo de risco, que relaciona essas despesas ao crédito concedido, subiu para 3,7%.
A receita total aumentou 1% no trimestre. A margem financeira cresceu 2%, impulsionada pela receita líquida de juros de mercado, que avançou 30%, para R$ 875 milhões. Em contrapartida, os spreads cobrados dos clientes diminuíram e a receita líquida de juros após provisões caiu 1,4%, para R$ 10,7 bilhões. Para os analistas do Itaú BBA, esse desempenho oferece pouco sinal de melhora da rentabilidade recorrente.
O principal ponto fraco entre as áreas de negócio foi o de seguros, cuja receita ou resultado recuou 8,6%, para R$ 5,6 bilhões. O valor ficou 17% abaixo da estimativa do Itaú BBA, com perdas tanto no resultado industrial quanto no financeiro. O lucro da Bradesco Seguros caiu 1,9%, para R$ 2,9 bilhões, e o da área de saúde diminuiu 8,1%, para R$ 982 milhões.
As receitas de serviços subiram 4,2%, para R$ 10,9 bilhões, mas ficaram 1% abaixo da projeção. Em sentido contrário, as despesas operacionais recuaram 0,7%, para R$ 16,3 bilhões, e ficaram abaixo do esperado. A alíquota efetiva de impostos foi de 19,3%, ante previsão de 21,1% do banco de análise.
O capital principal, indicador de recursos de maior qualidade em relação aos ativos ponderados pelo risco, alcançou 12,1%; o capital nível 1 chegou a 13,7%. O Bradesco havia feito um aumento de capital de R$ 10 bilhões. Sem o efeito da operação, o ROE teria sido de 16,1%, segundo o cálculo citado pelo Itaú BBA, que manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 22 para a ação.